TEXTO: ROMANOS 9.11-13
“11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), 12 já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. 13 Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.
INTRODUÇÃO
A doutrina da eleição incondicional trata na soberania de Deus quanto à salvação dos homens, Paulo vai explicar neste texto que a eleição divina antecede a qualquer merecimento humano, diferente de outras linhas que afirmam uma eleição antibíblica na qual Deus elege com base em algo que viu o homem fazer, a Escritura afirma diferente, trata de um propósito de Deus que está acima da nossa compreensão. O termo eleição vem da língua grega e indica uma escolha deliberada, separando alguns de entre a raça humana do restante da massa caída. A eleição se baseia na infalível presciência de Deus (I Pe 1.2), bem como na sua determinação e graça (II Tm 1.9)
ASSUNTO: AS DOUTRINAS DA GRAÇA
TEMA: ELEIÇÃO INCONDICIONAL: ESCOLHIDOS PELA GRAÇA DE DEUS!
1. DEUS ELEGEU ANTES DE QUALQUER OBRA HUMANA, V11a
1.1. A escolha divina antecede qualquer ação humana (v.11).
O texto vai nos informar que a eleição não aconteceu por causa de algo que Deus viu no homem, mas sem qualquer ação anterior, vejamos: A. Jacó e Esaú ainda não haviam praticado obras: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse […]” (v.11). B. A eleição não se baseia numa resposta humana: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). C. Deus elegeu pessoas não pela qualificação, mas apesas da sua desqualificação: “26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; 27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; 28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; 29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (I Co 1.26-29).
1.2. A eleição pela graça sem nenhum tipo de mérito humano (v.11).
Segundo a Escritura nós observamos que a eleição é pela graça sem merecimento humano algum, segundo observa-se: A. A escolha divina separa um remanescente, mas pela graça: “Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm 11.5). B. A escolha divina não é uma conquista humana, mas ela conquista os eleitos: “6 E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. 7 Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos” (Rm 11.6-7). C. A eleição acontece antes de qualquer resposta humana à Deus: “[…] nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama)” (v.11b)
1.3. A eleição divina tem resultados (Ef 1.4,5; II Ts 2.13).
A Escritura nos traz propósitos da eleição, segundo podemos observar: A. Deus nos escolheu antes da fundação do mundo: “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo […]” (Ef 1.4a). B. Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis: “[…] para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Ef 1.4b). C. Deus nos escolheu para sermos filhos de Deus por adoção: “4 […] e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4c-5). D. Deus nos escolheu para recebermos a eterna salvação: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (II Ts 2.13)
2. DEUS ELEGEU BASEADO NO SEU PROPÓSITO. V.11b
2.1. O propósito divino é eterno e imutável (v.11).
A Bíblia nos apresenta Deus como sendo eterno e imutável, assim sendo os seus planos também seguem essa verdade. Vejamos: A. As circunstâncias humanas não mudam o plano divino: “19 Respondeu-lhes José: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus? 20 Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. 21 Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros e a vossos filhos. Assim, os consolou e lhes falou ao coração” (Gn 50.19-21). B. O propósito de Deus aconteceu na eternidade e foi executado na história: “Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (I Pe 1.20). C. Os planos de Deus não podem ser frustrados: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2)
2.2. O propósito divino é soberano (Pv 21.1; Rm 9.18; Ef 1.11).
Deus no seu propósito age de forma soberana, dominando sobre tudo, observemos: A. Deus governa sobre todas as coisas, até os corações humanos: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina” (Pv 21.1). B. Deus na sua soberania tem misericórdia e endurece a quem quer: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm 9.18). C. Sua escolha é segundo o conselho da sua vontade: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11)
2.3. O plano de Deus para a salvação inicia na eleição (At 13.48).
Os salvos são antes eleitos na eternidade para que na história seja alcançado pela salvação, consoante vemos: A. A resposta do salvo acontece por causa da eleição e não o contrário: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). B. A fé é uma dádiva que Deus dá aos eleitos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8) “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1). C. Deus é quem dá o arrependimento aos seus para que se arrependam: “Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). “E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (At 11.18)
3. A ELEIÇÃO NÃO É BASEADA EM OBRAS, MAS NO CHAMADO DE DEUS. VV.11c-13
3.1. A eleição é é a base do chamado (v.11c).
A Palavra de Deus de Deus afirma que por causa da eleição vem o chamado de Deus, conforme o texto nos indica: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama)” (v.11). Verdades: A. Deus toma a iniciativa de chamar o pecador: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eterno” (II Tm 1.9). B. Esse chamado é oferecido pela graça: “15 Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve 16 revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue” (Gl 1.15-16). Separar (Gr. Aforisas, escolher), Chamar (Kalesas, Chamado interno; Revelar (Gr. Apocalipyses, tirar o véu). C. Deus chamou os que Ele predestinou/elegeu: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30)
3.2. Esaú e Jacó demonstram a soberania de Deus na eleição (vv.11-12)
A passagem bíblica nos diz que Esaú e Jacó apresentam que Deus é soberano na eleição de pecadores, observemos: “11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), 12 já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço” (vv.11-12). Aplicações: A. Quando diz que a eleição não é “por obras, mas por aquele que chama” nos ensina que eleição está interligada com chamado (v.11). B. Quando afirma que a eleição prevalece está nos dizendo que vai acontecer da forma que Deus mesmo disse (v.11). C. Quando diz que “o maior servirá o menor” revela a vontade de Deus de forma superior (v.12)
3.3. Deus demonstra seu amor eletivo amando Jacó e aborrecendo Esaú (v.13).
A passagem bíblica demonstra que Deus ama o seu povo de forma eletiva (v.13), assim sendo precisamos entender que: A. A graça comum demonstra o amor de Deus por cada uma das suas criaturas: “Para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45). B. A graça especial demonstra o amor de Deus pelo povo escolhido: “7 Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, 8 mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito” (Dt 7.7-8). C. A graça de Deus de forma especial demonstra-se em Jacó e Esaú: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (v.13)
CONCLUSÃO
Nós vimos nessa mensagem que a eleição é incondicional pela graça de Deus. Observamos antes de qualquer obra humana, elegeu com base no seu propósito imutável e soberano, não sendo baseado em obras, mas no chamado eficaz de Deus. Aplicação: Crentes: Observamos que a eleição exalta a graça e humilha o coração orgulhoso do ser humano, você que foi salvo por Cristo não pode se orgulhar, pois fomos escolhidos sem merecimento algum. “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...” (João 15:16). Não Crentes: Se você de fato pertence a Deus, a evidência de que somos eleitos é crer em Jesus Cristo e se afastar de viver em pecado. “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (II Tm 2.19).
AUTOR: Rev. Veronilton Paz da Silva (Campo Missionário da JMN em Zé Doca - MA).
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