Total de visualizações de página

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA - LIÇÃO 2

TEXTO: EC 7.20

“Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque”.

INTRODUÇÃO

Nossa corrupção pecaminosa é tão profunda e tão forte que nos torna escravos do pecado e moralmente incapazes de vencermos nossa rebelião e cegueira. Esta incapacidade de salvarmos a nós mesmos é total. Somos completamente dependentes da graça de Deus para vencer nossa rebelião, para dar-nos olhos para ver e atrair-nos eficazmente ao Salvador.

ASSUNTO: AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA

TEMA: DEPRAVAÇÃO TOTAL - O HOMEM TOTALMENTE CORROMPIDO PELO PECADO

1. NOSSA REBELIÃO CONTRA DEUS É TOTAL. Rm 3.9-11, 18

O pecado atingiu todas as partes da natureza humana e todas as pessoas da terra, observemos: 9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 18 Não há temor de Deus diante de seus olhos”  (Rm 3.9-11, 18). Quando cita judeus e gregos está se referindo aos da nação de Israel e pessoas de outras nações, os judeus se orgulhavam da sua descendência abraâmica e menosprezavam outras nações, Paulo traz a verdade que todos no estado natural estão debaixo do pecado, vejamos algumas lições.

I. O homem natural não busca a Deus. Rm 3.11b; I Co 2.14; Jo 3.20-21; Is 30.1

a) Porque as coisas de Deus são loucura para ele. I Co 2.14

A Palavra de Deus afirma que o homem no estado natural não sente o desejo de buscar as coisas de Deus, e nem as aceita, vejamos: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2.14). este homem com sua natureza humana degenerada nunca vai entender o evangelho, para ele tudo é louco e sem sentido, devido a isto Ele não aceita o evangelho e considera loucura (Gr. “Môria”, tolice), pois o evangelho é loucura para os que se perdem, mas para os salvos poder de Deus (I Co 1.18), por isso Deus não permitiu que o mundo o conhecesse por sua própria sabedoria, mas salvou os crentes por meio desta pregação louca que traz salvação (I Co 1.19-21), mas o homem totalmente depravado em seu ser não entenderá isto, para ele é loucura, mas para nós é poder de Deus!

b) Porque as coisas de Deus são rejeitadas por ele. Jo 3.20

Aquele que vive em pecado se incomoda com a presença da luz do evangelho, pois esta irá fazer pararecer suas obras más e serão reprovadas, conforme o texto nos afirma: “Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras” (Jo 3.20). Jesus afirma aqui que o homem no seu estado pecaminoso aborrece o evangelho (v.20a), este afastamento é porque não deseja que esta luz caia sobre ele (v.20b), faz isso porque na luz não tem como se esconder, suas más obras aparecem e são reprovadas. O homem totalmente depravado rejeita a mensagem do evangelho, pois esta confronta seu pecado, por isso é mais fácil ser religioso, aprender trejeitos “evangeliquês” do que você fazer parte de uma igreja séria que pregue a Bíblia, pois onde se prega a Bíblia você é confrontado a se arrepender dos seus pecados e abandoná-los, onde se prega o falso ensino você recebe profetadas, visagens e revelamentos e permanece no pecado.

c) Porque as coisas de Deus não estão nos planos deles. Is 30.1

A corrupção da natureza humana leva os homens a realizar suas questões e planejamentos deixando Deus de fora, consoante Isaías afirma: “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que executam planos que não procedem de mim e fazem aliança sem a minha aprovação, para acrescentarem pecado sobre pecado!” (Is 30.1). O homem carnal quer que Deus fique de fora dos seus projetos, pois se ele convidar Deus, o Senhor toma as rédeas, dita as regras e ele não quer isso, pois Deus atrapalha os seus planos pecaminosos. Um rapaz que deseja ter um namoro impuro, um comerciante que pretende ter comércio com negócios escusos, ou qualquer outra pessoa que quer viver sem regras e sem dar satisfação a ninguém, não desejarão que Deus regule suas vidas. Cuidado, se você quer viver sem regulamento e comprometimento, estás vivendo impiamente e Deus te pedirá contas.

II. O homem natural não entende as coisas de Deus. Rm 3.11a; II Co 4.4; I Co 2.14; Jo 16.13; Ef 2.1; Ec 9.5-6

a) Porque o diabo cegou o seu entendimento. II Co 4.4

O homem natural não entende as coisas de Deus por que está cego por Satanás, observemos: “Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (II Co 4.4). A cegueira que o inimigo coloca nas pessoas as levam à incredulidade (v.4a), estando cegos eles não conseguem enxergar a luz do verdadeiro evangelho (v.4b). Ou seja, as pessoas que rejeitam o evangelho estão vivendo com seus corações cegos pelo diabo, devido a isto precisamos orar para que as pessoas sejam libertas do inimigo para que o evangelho penetre no seu coração, enquanto não for retirada a cegueira espiritual do seu coração.

b) Porque as coisas de Deus se entendem espiritualmente. I Co 2.14

A Bíblia vai afirmar que o homem não entende as coisas de Deus porque elas se entendem espiritualmente, vejamos: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2.14). No reino de Deus as coisas espirituais se conferem com espirituais e não com carnalidade, as doutrinas do evangelho são espirituais, devido a isto armas que o cristão usa são espirituais e não carnais (II Co 10.4), quando um (a) cristã(o) usa armas carnais precisa rever a sua fé, devemos entender que todas as questões de fé não são compreendidas plenamente pela mente humana, mas com relação à salvação o Espírito esclarece não apenas aos doutos, também aos indoutos. O homem não salvo não compreende estas questões, pois somente o Espírito esclarece, como este não tem o espírito Santo não entende (Rm 8.9).

c) Porque para entender as coisas de Deus é preciso ter o Espírito Santo. Jo 16.13

Para que o homem possa entender o evangelho de modo salvador, é preciso uma intervenção do Espírito Santo aplicando as Escrituras ao coração do homem para que creia, vejamos, conforme Jesus disse: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (Jo 16.13). Jesus disse que o Espírito Santo nos conduziria o homem à verdade (Jo 16.13), esta verdade é a Escritura (Jo 17.17), esta verdade liberta totalmente porque ela testifica de Jesus (Jo 8.32,36; Jo 5.39), as controvérsias não devem ter uma decisão final de concílios ou líderes, mas o Espírito Santo é o juiz supremo falando nas Escrituras. Sendo não devem ser aceitas novas doutrinas, seja por meio de supostas revelações do Espírito ou tradições humanas. O Espírito abre as portas da nossa alma para a Palavra operar.

d) Porque está morto espiritualmente e morto não entende nada. Ec 9.5-6

A Bíblia” afirma que os homens sem Cristo estão mortos espiritualmente (Ef 2.1), e os mortos não entendem nada, conforme o texto a seguir afirma: “5 Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. 6 Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Ec 9.5-6). Os mortos físicos não possuem vontade, fé, nem entendimento, semelhantemente os mortos espirituais, devido a isto precisamos orar a Deus antes de pregar para as pessoas, como aconteceu com o vale de ossos secos (Ez 37.1-14), pode acontecer com os mortos espirituais, Deus trazendo-os à vida, eles crerão em Cristo (Ef 2.4-8).

APLICAÇÃO: A rebelião contra Deus é total, pois este não busca as coisas de Deus nem as entende. Precisamos compreender que a rebelião do pecado atingiu todos os seres humanos, nenhuma pessoa busca a Deus de modo voluntário sem que Deus tire esta rebelião do seu coração, e nenhum ser humano vai entender a Palavra sem que Deus venha até Ele retire a venda dos olhos do seu coração e o faça entender.

2. EM SUA REBELIÃO TOTAL, TUDO QUE O HOMEM FAZ É PECADO. Jr 17.9

O coração representa a essência o que há de mais íntimo no ser humano, pois é do coração que procedem todas as coisas, vejamos como o nosso coração se apresenta diante de Deus: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). para entendermos sobre esta total pecaminosidade precisamos estudar algumas questões.

I. A pecaminosidade ativa do ser humano. Rm 3.10; Is 64.6; Rm 7.18; Jr 17.10

A Palavra afirma que o homem é um pecador ativo, conforme verificamos: “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Esta pecaminosidade ativa pode ser vista em alguns aspectos destacados a seguir.

a) As nossas boas obras são cheias de pecado. Is 64.6

A Bíblia afirma que até as nossas justiças são manchadas pelo pecado, segundo o texto afirma: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam” (Is 64.6). O autor usa o termo trapo de imundícia para se referir a forma como nossas obras seriam vistas diante de Deus, o termo usado se refere aos panos usados pelas mulheres menstruadas á época para dizer como as obras humanas são vistas diante da santidade de Deus.

b) As nossas boas obras têm pecado, pois não há bem nenhum em nós. Rm 7.18

O apóstolo Paulo afirma que na sua carne não tinha nada de valor, por causa do pecado que habita no homem, este é incapaz de fazer o bem perfeito, observe: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (Rm 7.18). Não existe nada em nós mesmos, fora de Cristo, que possa agradar a Deus. Sendo assim, até as nossas boas obras não agradariam a Deus se não houvesse uma intervenção de Cristo no nosso coração (Is 26.12).

c) As nossas boas obras são pecaminosas porque as motivações do coração o são. Jr 17.10

A Palavra de Deus afirma também que o pecado é produzido e motivado pelo coração, conforme Jeremias cita: “Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.10). O coração humano já diz Calvino “é uma fábrica de ídolos”, tudo de pecaminoso que os homens praticam, seja na política, religião, economia ou em qualquer outra área da vida, procede do coração (Mt 15.19).

II. O ser humano caído não prática o bem de modo perfeito. Gn 1.26-27; Sl 51.4; Rm 14.23; Mt 5.45

Charles Haddon Spurgeon disse que “há pecado na nossa oração, santificação, devoção e em tudo mais que fizermos, pois somos pecadores, somos aceitos por Deus por causa da obra perfeita de Cristo e não do que fazemos”, Ou seja, não conseguimos fazer o bem espiritual de modo perfeito, sobre esta verdade precisamos aprender algumas lições.

a) Os atos de bondade praticados pelo ser humano, acontecem por causa da Imago Dei presente nele. Gn 1.26-27

A Escritura afirma que Deus criou o homem e a mulher aa sua imagem e semelhança, segundo Moisés explicou: 26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.26-27). Moisés nos trouxe algumas lições: 1. Imagem e semelhança se referem a mesma coisa. 2. O homem antes do pecado refletia perfeitamente a presença de Deus antes da queda. 3. Depois da queda o homem continua refletindo a presença de Deus, mas de modo imperfeito (Gn 9.6). 3. A imagem de Deus ajuda o homem a não fazer todo mal que ele poderia fazer, mas fazer coisas boas, mesmo que imperfeitamente.

b) Os atos de bondade praticados pelo ser humano não são perfeitos, pois são manchados pelo pecado. Is 64.6

Mesmo que Deus, na sua graça comum, mantenha sua imagem no homem, isto ajuda a refrear o mal, não permitindo que todo o mal seja praticado, e que este pratique algumas obras, mas estas não são perfeitas, segundo vemos na Bíblia:  “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam” (Is 64.6). A salvação não é por obras (Ef 2.9), justamente porque a Bíblia afirma que as obras, por mais que tenhamos boas intenções elas são imperfeitas.

c) Os atos de bondade praticados pelo ser humano, sem estar em consonância com a fé em Cristo não são aceitos por Deus. Rm 14.23

A Bíblia afirma que  as nossas obras devem estar ligadas a um fé salvifica em Cristo, pois se não estiverem ao invés de agradar a Deus se constituem pecaminosas, vejamos: “Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23). As obras sem a fé salvadora são condenáveis, não sendo aceitos por Deus, devemos então pensar nisso e vivermos a fé em Cristo.

d) Os atos de bondade praticados pelo ser humano fazem parte da graça comum de Deus, através da qual, Ele contempla todos. Mt 5.45

A graça comum é a doutrina que ensina o cuidado de Deus por toda criação, inclusive os não regenarados, vejamos: ‘Para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45). Na graça comum Deus concede dons naturais aos impios, fornece ferramentas para o sustento das suas criaturas, os homens também fazem atos de bondade devido a esta graça comum.

APLICAÇÃO: A Bíblia diz que tudo que o homem faz tem mancha do pecado, pois o pecado está presente no coração, devido a isto, o ser humano não consegue fazer o bem de maneira perfeita. Nossas obras, por mais santas que sejam as intenções, elas não são perfeitas, devido a isto o homem precisa de Cristo para o representar diante de Deus, sem Ele nada podemos fazer (Jo 15.5).

3. A INCAPACIDADE TOTAL DO HOMEM PECADOR. Jo 8.34

I. O homem sem Cristo é incapaz de buscar a Deus. Rm 3.11; Ef 2.1-3; Jr 17.9; II Co 3.15-16

a) Porque é morto em pecado e escravo do diabo, carne e mundo. Ef 2.1-3

O texto afirma que o homem está em suma situação caótica diante de Deus, vejamos: 1 Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.1-3). Por causa da descrição do homem aqui dada podemos ver que ele está em situação de miséria espiritual, morto e incapaz de se aproximar de Deus, escravo do mundo, da carne e diabo, devido a isto estão debaixo da ira de Deus.

b) Porque segue o seu coração enganoso e corrupto. Jr 17.9

O coração é a essência do ser humano, devido a isto o pecado o atingiu também, tornando-o totalmente tomado de engano e pecado, vejamos: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). Quando as pessoas dizem que precisamos seguir o coração, estão equivocadas, pois o coração do homem é totalmente tomado dos pecados da carne, assim sendo, as suas ações são monitoradas pelo coração e são pecaminosas (Mt 15.19).

c) Porque há um véu no seu coração e somente o Senhor pode tirar. II Co 3.14-16

Paulo vai dizer que o homem sem Cristo está com um véu sob o coração que os impede de ir até Cristo, vejamos: 14 Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. 15 Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. 16 Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado” (II Co 3.14-16). Paulo vai afirmar aqui que: 1. Os sentidos foram embotados (Gr. “Eporôthe”, endurecidos), o coração do homem sem cristo está endurecido (v.14). 2. Há um véu colocado sobre a mente das pessoas, que as impede de ver a verdade (v.15). 3. Este véu de incredulidade é retirado através da conversão em Cristo (v.16). Precisamos orar pelas pessoas para que elas sejam libertas da cegueira espiritual.

II. O homem sem Cristo é incapaz de submeter-se a Deus. Rm 8.5,7,8

O homem sem Cristo devido a depravação total do seu ser, o torna incapaz de se submeter ao Senhor, assim sendo, nenhum ser humano no seu estado natural irá se submeter á vontade de Deus, sobre esta questão queremos examinar as seguintes questões:

a) Porque vive na carne e os que vivem na carne não estão sujeitos à Lei de Deus. Rm 8.7

o homem sem Cristo vive na carne e jamais irá sujeitar-se a Lei de Deus, observemos: “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rm 8.7). O homem não irá submeter-se à Lei de Deus porque a carne gera inimizade contra Deus, impedindo que este se sujeite a Deus e a sua Palavra. O homem pecador não pode voluntariamente se submeter a Deus, pois é escravo do pecado (Jo 8.34), precisa haver uma intervenção divina para que este se volte para Deus (Jo 6.44).

b) Porque vivem na carne e quem vive na carne não pode agradar a Deus. Rm 8.8

Devido ao pecado o homem é incapaz de agradar a Deus, conforme o texto indica: “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8). O pecado torna os homens desagradáveis diante de Deus, pois o pecado tirou toda a retidão original do ser humano, tornando-o fora do agrado de Deus, sendo assim, Deus enviou seu Filho onde está todo seu agrado (Mt 3.16-17). Somente em Cristo o homem pode agradar a Deus!

c) Porque vivem na carne e quem vive na carne não cogitam das coisas de Deus. Rm 8.5

Os que vivem na carne não terão prazer nas coisas de Deus, mas nas da carne, vejamos: “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito” (Rm 8.5). O verbo cogitar significa pensar constantemente em um assunto, assim sendo, quem vive na carne pensa em satisfazer a carne, satisfazer os desejos da carne que são contrários à vontade de Deus.

III. O homem sem Cristo é incapaz de fazer o bem espiritual de maneira perfeita. Rm 3.11-15; Is 59.1-2; Ef 2.13-14; Ec 7.29

O homem sem Cristo não conseguirá fazer o bem espiritual de modo perfeito, não conseguirá fazer da forma que a santidade de Deus exige, pois o padrão de Deus é a perfeição (Mt 5.48), nós jamais atingiremos este padrão nesta vida, devido a isto precisamos de Cristo.

a) Porque o pecado atingiu o homem total: Pensamentos, palavras e ações. Rm 3.11-15

As Escrituras afirmam que o pecado atingiu todas as partes da natureza humana, vejamos: 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, 14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; 15 são os seus pés velozes para derramar sangue” (Rm 3.11-15). O texto indica algumas lições: I. O pecado atingiu a nossa mente (vv.11-12). II. As palavras foram tomadas pelo pecado (vv.13-14). III. As ações foram também atingidas pelo pecado (v.15). O ser humano é totalmente tomado pelo pecado.

b) Porque o pecado o impede de chegar-se a Cristo. Is 59.1-2; Ef 2.13-14;

O pecado criou uma crosta, uma parede que nos separou de Deus, devido a isto o profeta Isaías falou sobre isso afirmando que: 1 Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. 2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.1-2). O texto indica algumas verdades para nós: 1. A separação do homem de Deus não foi causada por Deus (v.1), pois Ele continua disposto com “mão”, “ouvidos” etc. à nossa disposição. 2. A causa da separação foi o pecado e, por consequência, o próprio homem (v.2), pois o pecado praticado pelo homem é que o separou de Deus e os impede de ter a disposição favorável de Deus. A Escritura também vai informar que somente Cristo quebrou esta parede de separação para nos aproximar de Deus, vejamos: 13 Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. 14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade (Ef 2.13-14). Sobre esta obra de cristo aprendemos que: I. O sangue de Cristo nos aproximou de Deus (v.13). II. O sangue de Cristo nos trouxe paz (v.14a). III. O sangue de Cristo acabou com a inimizade do homem com Deus e com o próximo (v.14b).

c) Porque o pecado retirou do homem toda a retidão original. Ec 7.29

O pecado afastou o homem de Deus e retirou a sua perfeição original, vejamos: “Eis o que tão somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.29). O texto nos apresenta sobre o pecado nos ensina que: 1. Deus criou o homem perfeito, sem pecado (v.29a), a palavra hebraica “reta” vem do hebraico “Yasã” que significa vertical, reto, perfeito. II. O homem decidiu pecar por sua própria conta (v.29b), o homem não pode se queixar de nada, a não ser do próprio pecado (Lm 3.29).

APLICAÇÃO: Por causa do pecado o homem é totalmente incapaz de buscar a ]Deus, submeter-se a Deus e fazer o bem espiritual de maneira perfeita. A total incapacidade do homem, faz que este necessite da obra de Cristo, pois este não irá até Cristo até que soberanamente o Pai o traga (Jo 6.37,44,65).

4. O HOMEM PECADOR É MERECEDOR DE RECEBER A PUNIÇÃO ETERNA. Jd 1.5-7

A Bíblia nos alerta que o pecado levará o pecador á condenação eterna, vejamos: 5 Quero, pois, lembrar-vos, embora já estejais cientes de tudo uma vez por todas, que o Senhor, tendo libertado um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram; 6 e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia; 7 como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição” (Jd. vv.5-7). Ele usou o povo que saiu do Egito para descrever a condenação dos que não creram (v.5), fala também dos anjos caídos que já estão condenados eternamente (v.6), usa as cidades de Sodoma e Gomorra como exemplos de um castigo temporário de Deus que aponta para um castigo eterno (v.70, sobre o julgamento de Deus contra o pecado aprenderemos algumas lições.

I. A punição eterna será feita com justiça contra os ímpios. Rm 1.18,32; At 17.31; Mt 18.23-24

Da mesma forma que a Bíblia fala da salvação, também fala da punição eterna de Deus contra o pecado, apontando que Deus não terá o culpado por inocente (Na 1.3), sendo justo irá exercer a sua justiça contra o pecado, vejamos algumas questões sobre este julgamento divino.

a) Deus é justo e se ira contra todo o pecado ativo e conivente. Rm 1.18, 32

O texto descrito irá descrever sobre a manifestação da ira de Deus, vejamos: 18 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; 32 Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Rm 1.18,32). Sobre a ira de Deus, vemos que: I. Deus exercerá sua ira contra todo e qualquer pecado (v.18a). II. Deus condena a perversão do evangelho, inversão de valores (v.18b). III. Deus condena quem troca a verdade de Deus pela injustiça, quem sabe o certo e faz o errado (v.18c). IV. Deus condena quem é conivente com o pecado de outros (v.32).

b) Deus é justo e irá julgar a todos igualmente. At 17.31

O julgamento de Deus será realizado a todo o mundo, vejamos: “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17.31). O julgamento de Deus escrito neste texto é assim enunciado: 1. Deus julgará todas as pessoas (v.31a). 2. Deus julgará de maneira justa (v.31b). 3. Deus julgará através de Jesus (v.31c). Este julgamento está marcado em um dia que somente Deus sabe o dia, a nenhum ser humano foi dado saber este dia, sendo assim precisamos estar preparados todos os dias.

c) Deus é justo e exige que a dívida seja paga. Sl 49.7-8; Cl 2.14

A Palavra de Deus fala de uma dívida que contraímos ao pecarmos, vejamos: 7 Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate 8 (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.)” (Sl 49.7-8). Sobre a dívida algumas lições: 1. A dívida era impagável para o ser humano (v.7). 2. Se dependêssemos da nossa condição para pagar a dívida estávamos perdidos para sempre (v.8). A Bíblia fala que Cristo pagou esta dívida de uma vez por todas, vejamos: “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2.14). Cristo pagou a dívida de quem se entrega a Ele, os demais deverão arcar com a dívida diante de Deus!

II. A punição eterna começa depois da morte. Lc 16.19-23; Hb 9.27; Ec 9.4

Após a morte já começa tanto a salvação eterna como a condenação eterna, os homens ao partirem daqui já vão com os seus destinos selados, seja de salvação ou de condenação, sobre este ensino iremos aprender algumas questões.

a) O homem já recebe a sentença monocrática de Deus depois da morte. Lc 16.19-23

Cristo ao contar esta história sobre a morte do mendigo Lazaro, os dois foram para lugares diferentes, vejamos: 19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. 20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; 21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. 22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. 23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio” (Lc 16.19-23). O texto falando destes homens vai nos trazer algumas informações: 1. O rico era avarento e o mendigo passava fome por causa disso (vv.19-21). 2. Ambos passaram pela morte física (v.22). 3. Após a morte ambos tiveram um destino diferente: Um foi ao seio de Abraão (céu), o outro foi ao inferno (condenação) (vv.22-23). Após a morte já começa a felicidade eterna ou condenação eterna.

b) O homem já é julgado por Deus depois da morte. Hb 9.27

Após a morte já inicia o julgamento e salvação ou condenação do ser humano, vejamos: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27). Vejamos algumas lições: I. Não existe reencarnação, pois nesta as pessoas morrem várias vezes, aqui diz que morre somente um vez (v.9a). II. Depois da morte inicia o juízo (Gr. “Krisis”, julgamento). Enquanto está vivo renda sua vida a Cristo, não confie nas falsas doutrinas que afirmam reencarnação ou purgatório, a decisão deve ser tomada em vida, do contrário sofrerá eterna condenação.

c) O homem tem todas as suas esperanças encerradas com a morte. Ec 9.4

A Escritura ainda afirma que existe esperança enquanto há vida, pois a morte acaba todas as oportunidades, examinemos: “Para aquele que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto” (Ec 9.4). Devido a isto que a Escritura vai nos explicar que os mortos não sabem e não participam de nada do que se faz aqui (Ec 9.5-6), então oração a pessoas que morreram e não ressuscitaram não resolve anda, também não existem comunicação com mortos, o que há é uma ação demoníaca para enganar as pessoas, nem ainda se deve fazer preces pelos mortos, pois não resolve nada. Leiamos a Bíblia e saíamos destes ensinos heréticos.

III. A punição eterna, há uma forma de se livrar. ITs 1.10; Sl 49.7-8; Cl 2.14-15; Rm 6.23

Deus nos alerta sobre a realidade da punição eterna e o perigo que correm aqueles que vivem longe de cristo, mas Deus traz um esperançoso ensino que é possível escapar da punição eterna, sobre este assunto iremos apontar algumas questões importantes.

a) A forma de se livrar desta condenação eterna é por meio de Jesus, porque Ele é o Filho de Deus. I Ts 1.10;

Deus nos alerta que o único escape contra a condenação eterna é por meio de Jesus: “e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” (I Ts 1.10). Jesus nos livra da condenação eterna porque é Filho de Deus e o Pai atende tudo que o Filho lhe pede (Jo 11.41-42). Corra para os braços de Jesus agora e escape da danação eterna, do fogo eterno!

b) A forma de se livrar desta condenação eterna é por meio de Jesus, porque Ele pagou a nossa divida impagável. Sl 49.7-8; Cl 2.14-15

Já vimos anteriormente que tenhamos uma dívida impagável para com Deus, segundo a Escritura aponta: 7 Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate 8 (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre.)” (Sl 49.7-8). Mas, há uma boa e alvissareira notícia, Jesus pagou a divida e rasgou a nota, ou seja fez isso de uma vez por todas, confira: 14 Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; 15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.14-15). Jesus já pagou a dívida, para ser salvo basta entregar-se a Ele!

c) A forma de se livrar desta condenação eterna é por meio de Jesus, porque é uma oferta gratuita ao pecador Nele. Rm 6.23

A Bíblia diz que a recompensa para quem vive no pecado é a morte (eterna), mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, vejamos: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). O texto vai nos informar que esta salvação gratuita está somente na pessoa de Jesus, sendo assim não terá vida eterna quem não crê em Jesus.

APLICAÇÃO: O pecador merece de Deus apenas a condenação eterna. Deus fará isso contra os ímpios com justiça, esta começa depois da morte e a única forma de se livrar desta perdição eterna é por meio de Jesus. Quem caminha em pecado, descompromisso e desregramento caminha em perigo eterno, mas se buscar e se entregar a Cristo recebe a vida eterna e fica livre da eterna condenação.

APLICAÇÃO FINAL

O pecado atingiu o homem em todas as suas faculdades: Mente, palavras e ações. O pecador não pode ir ao Senhor ou se preparar para isto, pois o pecado o impede. Ninguém pode oferecer nada a Deus de maneira perfeita, até as ações boas estão corrompidas pelo pecado. Somente aqueles que o Pai traz até o Filho, estes dirão não ao pecado. O pecado leva o homem à condenação eterna. Somente por meio de Jesus, o homem pode ter os seus pecados perdoados, se livrar da condenação eterna e receber a vida eterna. Você já tem certeza de vida eterna? Já teve os seus pecados perdoados? Já abandonou o pecado?

REFERÊNCIAS

A Bíblia de Estudo de Genebra. Textos e Notas de Rodapé. 2 ed. Ampl. São Paulo - SP: Cultura Cristã, 2010.

A confissão de Fé de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. 1 Ed. Campinas - SP: LPC, 1985.

CASIMIRO, Arival e; CALLI, Paulo. Rede de Discípulado I. 1 Ed. 2012. Santa Bábabara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2012.

CASIMIRO, ARIVAL. Rede de Discipulado II. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2015.

MARTINS, José. O Homem e a Salvação. 1 Ed. Patrocínio - MG: CEIBEL, 1975

NASCIMENTO, Adão Carlos. Razão da Nossa Fé. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

_________________________. O que Todo Presbiteriano Inteligente precisa Saber. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste: Z3 Editora, 2007

_________________________. Curso de Catecùmenos. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2008.

O Breve Catecismo de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

O Catecismo Maior de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

Os Cânones de Dort. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

PIPER, Jhon. Cinco Pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1 ed. São José dos Campos: Fiel, 2014.

AUTOR: Pastor Veronilton Paz da Silva

AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA - LIÇÃO 1

TEXTO: GALATAS 1.15-16

15 Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve 16 revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue”.

INTRODUÇÃO

Estamos iniciando uma série de estudos bíblicos sobre as Doutrinas da Graça, estaremos de maneira introdutória tratando sobre esta temática especial para a Igreja Reformada, pois estas doutrinas trazem de maneira bíblica e inequívoca a razão da esperança que há em nós que é vida eterna. Neste primeiro estudo traremos um conhecimento resumido deste ensino e como a mecânica da salvação se realiza. faremos isto tendo como base o assunto e tema expostos a seguir.

ASSUNTO: AS MARAVILHOSAS DA GRAÇA

TEMA: CONHECENDO AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA

1. O CONTEXTO HISTÓRICO DAS DOUTRINAS DA GRAÇA.

a) Os três homens que desencadearam a reforma, cujo desenrolar levou às doutrinas da graça, foram: Lutero (Alemanha); Calvino (França) e Zwinglio (Suiça).

b) Calvino foi o mais proeminente dos reformadores, sendo o mais culto dentre eles, ele escreveu o mais importante tratado da fé cristã reformada que foram as Institutas. Nos seguidores das ideias de Calvino se incluem os presbiterianos, batistas, anglicanos, congregacionais etc. Os calvinistas foram denominados de Reformados na Suíça; Puritanos na Nova Inglaterra (EUA) e Grã-Bretanha; Huguenotes (Federados) na França e Holanda e Presbiterianos na Escócia e posteriormente na América e resto do mundo. Alguns teólogos calvinistas: C.H. Spurgeon, George Whitifield, Charles Hodge, John Piper, John Stot, Paul Washer, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes, Paulo Júnior, Leandro Lima, José Piacenti Júnior, Davi C. Gomes, Paulo Anglada (In memorian) etc.

c) Jacó Armínio um professor reformado holandês, teve por parte de alguns alunos seus, uma controvérsia com o calvinismo e apresentaram um documento chamado remonstrância no ano 1610. Eles apresentaram 5 pontos intitulados os pontos do arminianismo, tais como: Livre arbítrio; Eleição condicional; Expiação ilimitada; Graça resistível e Decair da graça (perda da salvação). Lembrar, a tempo, que Armínio não cria no primeiro nem no último ponto do arminianismo, seus alunos não o prescreveram totalmente.

d) Respondendo a isto, o Sínodo de Dort refutou todos os argumentos deles e apresentou cinco pontos conhecidos como “as Doutrinas da graça que são: Depravação Total; Eleição Incondicional; Expiação limitada; Graça irresistível e Perseverança dos salvos. Isto aconteceu entre 1618 – 1619. O documento extraído desta reunião ficou conhecido como Cânones de Dort, assim os cinco pontos do Calvinismo não foram criadas por Calvino, mas no Sínodo de Dort. Estes ensinos são conhecidos como “As Doutrinas da Graça” e se baseiam na Bíblia.

2. O VALOR DAS DOUTRINAS DA GRAÇA.

a) Elas nos levam a confiar e depender de Deus. Rm 9.16

A Bíblia demonstra a salvação, não como um resultado da força humana, mas tendo como sua fonte a misericórdia de Deus, conforme o texto nos indica: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). Precisamos depender de Deus e confiar no Senhor, pois tudo depende Dele e não das nossas forças. A força humana nada pode fazer por si mesmo, sem Cristo está perdido

b) Elas nos ajudam a apegarmo-nos às Escrituras. I Co 4.6 

Não devemos ultrapassar o que está prescrito nas Escrituras, como Paulo nos informa; “[...] não ultrapasseis o que está escrito [...]” (I Co 4.6). A doutrina reformada da soberania está exaustivamente exposta nas escrituras, ao longo do estudo veremos Deus agindo soberanamente em toda a história, realizando um plano que Ele estabeleceu na eternidade.

c) Elas nos ajudam a rendermos a Deus toda a glória. Ef 1.6-7

Paulo nos orienta que devemos render a Deus toda a glória pela obra da salvação, segundo o texto nos informa: 6 Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, 7 no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1.6-7). O autor informa neste capítulo que o homem estava morto (incapaz) de se aproximar de Deus (v.1), escravo do mundo, diabo e carne (vv.2-3), Deus interviu no interior do homem o ressuscitando do estado cadavérico que ele se encontrava (vv.4-5), assim sendo toda a glória deve ser dado a Deus pela salvação, pois o homem nada podia fazer, Deus é que o tirou daquele estado que se encontrava.

d) Elas nos ajudam a termos esperança para o futuro. II Tm 1.12

Paulo vai trazer uma mensagem esperançosa no final da sua vida, na qual ele aponta que nosso futuro está seguro e garantido, observemos: “E, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (II Tm 1.12). O apóstolo traz a verdade de que podemos ter certeza de um futuro esperançoso, pois o poder de Deus garante a nossa segurança de salvação. Quando não temos certeza da nossa salvação, estamos desconfiando de Deus e do seu poder.

3. A MECÂNICA DA SALVAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS SAGRADAS. Jn 2.9

As Escrituras Sagradas afirmam que a salvação vem do Senhor, conforme podemos observar: “Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence a salvação!” (Jn 2.9). Na última frase aqui do texto diz que a salvação pertence a Deus, sobre esta verdade iremos trazer algumas lições a seguir.

I. A descrição dos elementos que acompanham a salvação.

Vamos usar de modo didático o termo elementos referirmo-nos ao que a Bíblia trata sobre a salvação, para que possamos ter um aprendizado, pois a salvação embora seja um ato único no sentido da ação de Deus, também se refere como sendo um conjunto de coisas que levam a ela. vejamos:

a) A Graça (grego cháris, favor imerecido): É a Causa da salvação. Ef 2.8; Gl 1.15

As Escrituras nos dizem que a salvação não é causada pelas obras, ou por qualquer merecimento, mas pela graça, segundo está escrito: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Esta salvação foi antecedida por uma escolha divina incondicional antes de existirmos também como uma ação graciosa de Deus, consoante a Bíblia nos apresenta: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça” (Gl 1.15)

b) A Fé (Gr. “Pysteus”, crença, confiança): É o meio da salvação. Ef 2.8, 9

O meio ou instrumento que Deus usa para tomarmos posse desta salvação é a fé, conforme examinamos: 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). A fé salvadora não é somente saber que Deus existe (fé intelecutal - Tg 2.19), nem também temporal (milagres e coisas desta vida - ), mas é uma confiante entrega a Cristo para a salvação, deixando tudo para trás e seguindo a Jesus (Lc 5.27-28).

c) As obras: Evidenciam aos homens que somos salvos. Ef 2.10; Tg 2.17-18

A Palavra de Deus também nos afirma que o salvo vive uma vida de boas obras (obediência), segundo o texto a seguir nos apresenta: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Então, não é verdade que a doutrina da salvação pela graça nos incentiva a viver uma vida de pecado, pelo contrário, ela nos habilita para uma vida de santidade. O autor sacro Tiago vai também nos dizer que a nossa fé diante das pessoas é evidenciada por uma vida de boas obras (obediência), segundo observamos: 17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. 18 Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé” (Tg 2.17-18). Tiago não está falando da salvação por obras, pois usa primeiro a fé, depois da fé é que vem as obras, ele está falando do resultado da salvação e não da sua causa.

d) O Arrependimento: Porta de entrada no reino de Deus. Mt 3.2

A Escritura afirma que o arrependimento é a porta de entrada no reino dos céus, vejamos: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Ninguém será salvo sem que primeiro se arrependa dos seus pecados, o arrependimento tem duas partes: Tristeza pelo pecado (II Co 7.9-10) e volta para Deus (Zc 1.1-6). Não adianta a pessoa ser religiosa, cantar bem, pregar bem, ser simpático com as pessoas, se ela não se arrependeu dos seus pecados não entra no céu.

e) O Coração: lugar onde é operada a salvação depois de semeada a Palavra. Lc 8.15

A parábola do semeador vai nos trazer o coração como sendo a terra onde a semente (Palavra) é semeada, quando brota e germina, acontece a salvação, então a salvação é gerada no coração, pois é lá que acontece todo o agir espiritual que leva a vida eterna, vejamos: “A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança” (Lc 8.15). O coração é o depósito da fé onde é gerada a vida eterna, de lá saem todas as coisas sejam boas ou más.

f) A Boca: Órgão que se usa para confessá-lo diante dos homens. Mt 10.32, 33; Rm 10.9-10

Jesus vai trazer para nós uma informação muito importante, pois precisamos também confessar Jesus diante dos homens, verifiquemos: 32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; 33 mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.32-33). Aquele que diz ser cristão, mas não deseja tornar pública sua fé, ainda falta um verdadeira conversão. Paulo vai informar que esta confissão é de pertencimento e total submissão a Cristo como Senhor, a crença acontece no coração, mas deve vir acompanhado de um testemunho verbal da sua fé em Cristo, consoante observa-se: 9 Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 10 Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10.9-10). As pessoas não podem ver o que está no meu coração, mas podem contemplar minha vida externa, assim devo confessar a Cristo publicamente!

II. A fonte que fornece estes elementos que compôem a salvação.

a) A Graça (grego cháris, favor imerecido): É a Causa da salvação. Vem de Deus e não de nós. Ef 2.8

As Escrituras afirmam que a graça causadora da salvação ou graça salvadora provém de Deus, conforme podemos observar: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8-9). Aliás, a Bíblia afirma de maneira literal e clara que a graça é de Deus, averiguemos: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (I Co 15.10). A graça é o favor imerecido de Deus aos pecadores miseráveis.

b) A Fé (crença, confiança): É o meio da salvação. Vem de Deus e não de nós. Ef 2.8, 9

A Escritura vai afirmar que todo o processo de salvação, incluindo a graça e a fé, vem como dom (presente) de Deus para nós: 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Alguns afirmam que Deus entrega esta fé a todos, mas a Bíblia diz que esta foi entregue somente aos eleitos, segundo Paulo afirma a Tito: “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1). Não existe então uma fé preveniente dada a todos, mas uma fé salvadora que foi entregue aos eleitos de Deus, os quais Ele escolheu por pura graça antes da fundação do mundo, apenas a estes entregou a fé salvadora.

c) As obras: Evidenciam aos homens que somos salvos. Foram preparadas por Deus para nós praticarmos. Ef 2.10

Podemos também observar que as boas obras que o cristão deve praticar acontece porque Deus agiu em nós, vejamos: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). As boas obras não brotaram do coração humano, mas fez uma nova criação em nós e já preparou estas obras no nosso coração, pois todas as boas obras que fazemos, na verdade é Deus fazendo em nós, segundo está explícito no profeta Isaías: “Senhor, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós” (Is 26.12). Até as boas obras é Deus que realiza em nós!

d) O Arrependimento: Porta de entrada no reino de Deus. É Deus que concede ao homem o arrepender-se. At 5.31; At 11.18; Rm 2.4

Nós pregamos para que as pessoas se arrependam dos seus pecados e devemos fazer isto, pois está ordenado na Palavra de Deus, mas precisamos entender que nenhum ser humano se arrependerá se não houver uma intervenção divina, vejamos algumas questões sobre isto: 1. Deus é quem concede o arrependimento aos israelitas: “Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). 2. Deus é quem concede arrependimento aos gentios (não judeus): “E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (At 11.18). III. Deus concede arrependimento aos judeus a gentios por causa da sua bondade: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm 2.4). O arrependimento é também um presente de Deus para os seus eleitos de todas as nações.

e) O Coração: lugar onde é operada a salvação depois de semeada a Palavra. É Deus que abre o coração do pecador para crê no evangelho. At 16.14-15

Paulo estava pregando e uma mulher religiosa, mas que ainda não havia crido em Cristo para salvação, creu através da Palavra pregada por Paulo, vejamos: 14 Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. 15 Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso” (At 16.14-15). O texto informa que ela creu porque o Senhor lhe abriu o coração, isto é, não foi ela que abriu o coração para Jesus, mas Jesus que abriu seu coração e entendimento para que cresse no evangelho.

f) A Boca: Órgão que se usa para confessá-lo diante dos homens. Fala de algo que já está no coração colocado pelo Espírito Santo. Mt 12.34b; 1 Co 12.3b; Jo 16.8

A salvação deve ser confessada verbalmente, mas quando a confissão é verdadeira, está tratando de algo que já aconteceu no coração, afunal de contas, “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34b). Porém, esta confissão somente pode ser verdadeira se houve uma intervenção do Espírito Santo, pois “ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (I Co 12.3b). Tudo isto acontece porque Ele convence o nosso coração, segundo a Escritura afirma: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8).

III. O uso destes elementos que compõem a salvação.

Depois de sabermos toda esta mecânica interna, agora precisamos saber sobre a parte externa, que é o recebimento da salvação pelo pecador, fazendo uso destas ferramentas que Deus disponibilizou, vejamos:

a) Somente farão uso destes elementos aqueles que enviados pelo Pai se entregam a seu Filho Jesus para a salvação. Jo 6.37, 44

A Escritura vai afirmar que creram em Jesus para a salvação foram enviados pelo Pai ao Filho e estes não serão expulsos da presença de Cristo, conforme o texto nos explana: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). Além de dizer que o Pai enviou, também informa que o Pai traz de maneira soberana o pecador até seu Filho: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Estes se renderão a Cristo para a salvação eterna!

b) Somente farão uso destes elementos aqueles que creem porque foram destinados para a vida eterna. At 13.48

Somente os que creem recebem a vida eterna, mas isto acontece porque estes já haviam sido destinados antecipadamente para a vida eterna, vejamos: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). O verbo destinar usado aqui vem da palavra grega “Tetagmenoi” e significa nomear, destinar, ordenar, estes já estavam destinados para a vida eterna, ou seja, desde toda a eternidade.

c) Somente farão uso destes elementos aqueles que ao conhecerem Jesus, deixam tudo para segui-lo. Lc 5.27-28

Quando alguém é alcançado pela graça de Deus, Ele não se prende a nada, larga tudo para segui-lo, como fez o Levi/Mateus: 27 Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me! 28 Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu” (Lc 5.27-28). Se alguém se prende a sexo, drogas, bebida, prazer, sucesso, ego, isto se tornou seu deus e precisa ser largado para que possa servir a Cristo. Levi deixou tudo por Cristo e nós o que faremos.

d) Somente farão uso destes elementos aqueles que ouvirem a Palavra e forem alcançados por Deus. At 18.9-10

Paulo estava pregando na cidade Corinto e teve uma visão na qual o Senhor lhe disse que pregasse sem se deter, para alcançar os eleitos naquela cidade, segundo observamos: 9 Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; 10 porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18.9-10). A responsabilidade de pregar é nossa, para todos, mas Deus vai alcançar os que lhe pertencem.

e) Somente farão uso destes elementos os salvos, eles serão guardados por Jesus até o fim, por outro lado os que apostatam não eram verdadeiramente salvos. Jo 10.27-29; Jd v.1-3; II Tm 1.12; Fp 1.6; Fp 2.13; I Jo 2.19.

 

O Senhor Jesus disse que a salvação pertence apenas as suas ovelhas, vejamos: 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29 Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (Jo 10.27-29). Aqui Ele declara que as ovelhas de Cristo possuem alguns sinais: I. Ouvem a voz de Cristo - pregação (v.27a); II. São conhecidas por Jesus - Soberania (v.27b); III. Seguem a Jesus - Santidade (v.27c). Podemos aprender sobre a salvação que: 1. Cristo salva no presente (v.28); 2. Ele nos garante salvos no futuro (v.28b); 3. Seu poder é garante tudo isto (vv.28c-29).

 

A segurança de salvação é descrita como uma preservação que Deus concede aos seus por meio de Jesus, observemos: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (Jd v.1). Calvino, reformador francês disse que guardar aqui seria o mesmo sentido de conservar como se faz com o sal nos alimentos, ou seja, Deus preserva seu povo. Podemos esperar confiantemente porque Deus guardará o nosso depósito (salvação) em segurança, como Paulo fala no final da sua vida: “E, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (II Tm 1.12). A obra que Ele iniciou terminará com sucesso como o texto a seguir nos indica: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

 

Esta salvação é segura porque tanto a vontade como a realização que nos leva a desenvolver a salvação - santidade, provém de Deus, vejamos: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Há um engano ensinado pelos inimigos da Escritura Sagrada e da doutrina correta, pois eles afirmam que a doutrina da segurança eterna de salvação ensinaria que as pessoas salvas poderiam viver em pecado, mas a própria Bíblia desmente esta mentira, pois afirma que aqueles que apostatam da fé nunca foram verdadeiros crentes, examinemos: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (I Jo 2.19). Para Deus a pessoa é salva ou nunca foi salva, não há meio termo! Decida-se!!!

CONCLUSÃO:

A salvação não é uma conquista humana, ela é um presente de Deus. Você não é salvo pelas obras, para ser salvos pelas obras precisaríamos não errar em nada. Alguém consegue viver assim? Para sermos salvos, mesmo imperfeitos,  precisamos somente receber este presente que Deus nos oferece, a salvação. Você pode receber hoje esta grandiosa salvação.

REFERÊNCIAS

A Bíblia de Estudo de Genebra. Textos e Notas de Rodapé. 2 ed. Ampl. São Paulo - SP: Cultura Cristã, 2010.

A confissão de Fé de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. 1 Ed. Campinas - SP: LPC, 1985.

CASIMIRO, Arival e; CALLI, Paulo. Rede de Discípulado I. 1 Ed. 2012. Santa Bábabara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 201

__________________________. Rede de Discipulado II. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2015.

MARTINS, José. O Homem e a Salvação. 1 Ed. Patrocínio - MG: CEIBEL, 1975

NASCIMENTO, Adão Carlos. Razão da Nossa Fé. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

_________________________. O que Todo Presbiteriano Inteligente precisa Saber. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste: Z3 Editora, 2007

_________________________. Curso de Catecùmenos. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2008.

O Breve Catecismo de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

O Catecismo Maior de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

Os Cânones de Dort. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

PIPER, Jhon. Cinco Pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1 ed. São José dos Campos: Fiel, 2014.

AUTOR: Pastor Veronilton Paz da Silva

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

SÉRIE DE SERMÕES SOBRE OS SOLAS DA REFORMA - SOMENTE A DEUS A GLÓRIA

TEXTO: I CORINTIOS 10.31

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”.

INTRODUÇÃO

A Igreja medieval trouxe do paganismo muitas doutrinas pagãs, o termo Soli Deo Glória vem do latim é significa “Glória a Deus Somente”, neste ensino a reforma exaurou que toda a glória é devida somente a Deus, seja pela criação, salvação e até na reprovação de pecadores. Os reformadores combateram o falso ensino romanista de que podia ser dada glória aos santos canonizados, papas e autoridades, pois não eram dignos de tal coisa. Os puritanos ensinaram que o fim principal do ser humano é glorificar a Deus e viver em sua presença para sempre, usando texto como I Co 10.31, Mt 5.16 e outros, vamos examinar esta verdade.

ASSUNTO: REFORMA PROTESTANTE, UMA VOLTA ÀS ORIGENS

TEMA: SOMENTE A DEUS A GLÓRIA – A ORIGEM DA NOSSA ADORAÇÃO É A GLÓRIA DE DEUS!

I. A GLÓRIA DE DEUS EM CONTRASTE COM A GLÓRIA HUMANA. Jo 5.44

A Palavra de Deus apresenta um contraste entre a glória de Deus e a humana, conforme examinamos: “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.44), sobre este contraste aprenderemos.

a) A glória humana é passageira, a de Deus é permanente. Sl 90.2-3

Deus é eterno e a sua glória também é eterna e permanente, o homem é mortal, sendo assim sua glória é transitória, segundo examinamos: 2 Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. 3 Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens” (Sl 90.2-3). O homem é pó, ou seja, ele é passageiro, toda aparência humana passa rápido que estes nem percebem. Deus tem um trono eterno onde estáassentado governando de eternidade a eternidade, a este Deus devemos dar glória!!!

b) A glória humana é idolátrica, a de Deus é adoração. Is 42.8

Deus é glorioso, nada nem ninguém se compara a Ele, sendo Ele tão grande tem o direito de receber toda a glória sem a ddividir com nenhum outro ser, vejamos: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is 42.8). O termo Senhor usado aqui vem do hebraico “yahwer” e significa ‘Eu sou eternamente o mesmo”, isto indica que este Deus não é criado por mãos humanas, por isso nem Ele pode ter sua glória dividida com outros, nem mesmo pode ser adorado em representação de imagens, Ele proibiu fazer imagens que o representassem (Dt 4.14-16). Sua glória não pode ser divida com homens, por mais santos que tenham sido!

c) A glória humana é ilusória, a de Deus é real. Sl 146.3-5

O salmista faz um contraste entre aqueles que buscam refugio nos homens e os que confiam no Senhor, vejamos: 3 Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. 4 Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios. 5 Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus” (Sl 146.3-5). Ele vai dize que: I. Não devemos exaltar aos homens: 1. Porque não há salvação nestes (v.3), há um catecismo de determinada religião que afirma Maria ajudando na salvação, isto não é bíblico; 2. Os homens são frágeis e temporarios (v.4), fazendo evangelismo dia de finados, vi muitas covas de pessoas que tiveram fama, mas a morte interrompeu isto. II. Devemos confiar somente em Deus: 1. A confiança em Deus traz plena felicidade (v.5a), se você não é feliz e vive reclamando da vida, examine se está na fé. 2. Precisamos confiar Nele e buscar seu auxílio (v.5b), muitas vezes nós buscamos auxílio em todo lugar buscamos ao Senhor somente depois de tudo dar errado, deveriamos reccorrer ao senhor primeiramente. A glória humana por maior que seja é ilusoria, ela acaba, a de Deus é real e atuante para o nosso bem!

II. A GLÓRIA DE DEUS E A ADORAÇÃO DA IGREJA. Sl 26.8

A Bíblia afirma que toda a criação seja uma flor, um pássaro, uma arvore frutifera, as serras, os vales, montes, desertos, o calor e a chuva constante de Zé Doca estão dizendo glória ao criador, pois tudo no seu templo (universo) diz glória (Sl 29.9), mas há um povo escolhido por Deus que Ele decidiu manisfestar sobre eles sua glória de maneira especial, este povo não é outro, mas sua igreja., algumas lições:

a) A igreja glorifica na assembleia dos santos. Sl 26.8

A Escritura afirma tanto no Antigo como no Novo Testamento a glória presente na Assembleia dos santos reunida, vejamos: “Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa e o lugar onde tua glória assiste” (Sl 26.8). O salmista afirma que Shekiná (glória manifesta) de Deus acontece na reunião solene do povo de Deus quando este se reune para adorar ao seu nome. Sobre esta verdade Paulo afirma: “A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3.21). Aprendemos aqui que: 1. A glória de Deus está em Cristo (v.21), ou seja, o culto deve ser cristocentrico. 2. A glória de Deus está na igreja (v.21) (Gr. Ekklesia, assembleia), ou seja, não existe gloria em quem está fora da assembleia solene. 3. Esta gloria deve ser estendida a todas as gerações (v.21c), ou seja, nao temos o direito de mudar o modo de cultuarmos, deve ser reunidos.

b) A Igreja glorifica a Deus na proclamação do evangelho. Sl 96.3

Além da reunião solene do povo de Deus para adoração comunitária também glorificamos a Ele na evangelização de pessoas e povos que ainda não o cohecem, vejamos: “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas” (Sl 96.3). A igreja vive para glória de Deus na adoração, mas ela promove a glória de Deus quaando proclama seu evangelho, se você quer ver a glória de Deus manifesta, evangelize, fale de Jesus, mas não fale apenas comas palavras, mas com a alma e coração, Deus será glorificado na conversão de pecadores.

c) A Igreja glorifica a Deus por uma vida piedosa. Mt 5.16

Deus também é glorificado na vida de santidade do povo de Deus, conforme o próprio Jesus falou: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). Quando vivemos o evangelho na prática, isto exalta a Deus, seu nome é honrado, os homens olharão para a vida do cristão e glorificarão a Cristo!

III. A GLÓRIA DE DEUS É O FIM ÚLTIMO DE TODAS AS COISAS. Rm 11.33-36

Paulo recebe a revelação daa soberania de Deus sobre tudo, inclusive na eleição e reprovação de pecadores, mas também recebe ao mesmo tempo a revelação que o homem é responsável pelas suas escolhas (Rm 9 -11), o apóstolo então, reconhece sua incapacidade de entender a mente de Deus plenamente, entendendo que todas as coisas tem por propósito final a glòria de Deus, vejamos algumas lições.

a) A glória de Deus como fim último leva seus servos à devoção. V.33a

Ele usou um vocativo, conforme o texto indica: “Ó profundidade da riqueza [...]” (v.33a), o termo é utilizado para chamamento e admiração de algo que é devoto. A devoção deve ser feita com exclusividade (Mt 6.24), com conhecimento constante de Deus (Os 6.3), com consagração: Jejum, oração e proclamação (Lc 2.36-38).

b) A glória de Deus como fim último leva seus servos à humilhação. VV.33-35

O texto vai nos trazer uma informação de um Deus que é infinitamente maior do que nós e que não precisa de ninguém, isto deve nos levar à humilhação, vejamos: 33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? (vv.33-35). Algumas lições que podemos aprender: I. Nos humilhamos porque Deus é profundo em riqueza (v.33a). II. Nos humilhamos porque Deus é inescrutável em sabedoria (v.33b). III. Nos humilhamos porque Deus é suficiente em seu ser (vv.34-35).

c) A glória de Deus com fim último leva seus servos à total rendição. VV.36

O texto vai nos alertar a que entreguemos todo o nosso ser ao Senhor rendidos a Ele, observemos: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (v.36). Rendemo-nos totalmente ao Deus em glória porque: 1. Ele é a origem de tudo que existe (v.36a). 2. Todas as coisas são sustentadas por Ele (v.36b). 3. Todas as coisas possuem a finalidade de existência Nele (v.36c). 4. Todas as coisas redundam em glória a Ele (v.36d).

CONCLUSÃO

Nesta última mensagem da série sobre os Solas da Reforma Protestante, vimos que a origem da nossa adoração é a glória de Deus, examinamos que a glória de Deus é contrastada com a glória humana, é vista de modo especial na igreja e é o fim último de todas as coisas. Aplicação: Precisamos nos perguntar se eu busco a glória de Deus ou dos homens, se suas redes sociais possuem mais postagens de politica, futebol e fofoca do que a divulgação da Palavra de Deus, precisas rever tua fé, pois você tem uma grande possibilidaade de não ser um convertido (a). Se você não tem prazer em fazer parte da reunião dos santos, do culto coletivo, será que usaríamos a mesma desculpa que usamos para não ir ao culto, para não irmos ao banco, trabalhar ou fazer caminhada e lazer, se nossa resposta for negativa, precisamos rever a nossa fé. Tudo que acontece deve ser para a glória de Deus. Temos vivivo para glória de Deus ou para nossa própria glória? Você já tem certeza da sua salvação? Se sua resposta for positiva, Deus quer que sua glória seja proclamada por você, evangelizando e vivendo o evangelho; se sua resposta é negativa, renda-se a Cristo ainda hoje e terás vida eterna e sua glória brilhará em você.

AUTOR: Pastor Veronilton Paz da Silva