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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA - LIÇÃO 5

TEXTO: LUCAS 5.27-28

27 Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me! 28 Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu”.

INTRODUÇÃO

A graça irresistível, vocação eficaz ou graça eficaz diz respeito à regeneração, ao novo nascimento.  É, dentro da ordem da salvação, o ato que precede a conversão. A regeneração é a causa, a conversão é o efeito. Também é conhecida por Graça Eficaz, chamado eficaz, graça salvífica, dentre outros. É o exato momento em que Deus dá vida a quem estava morto, abre os olhos do que estava cego e coloca um coração de carne no lugar do coração de pedra. Essa é a Graça irresistível (Graça Eficaz). Precisamos diferenciar graça irresistível de graça comum. A graça comum é a responsável por refrear o pecado da humanidade e alcança todos os homens, sem exceção. A graça irresistível é chamada de graça especial. É a graça que derruba a resistência do homem e o salva. Então quer dizer que a graça pode ser resistida? SIM! Não dizemos que ela não pode ser resistida. Na verdade, todos os seres humanos resistem a graça de Deus naturalmente.  É aí onde está a diferença, TODOS rejeitam, e não alguns.  A questão é: a graça de Deus é tão poderosa que vence essa resistência natural que existe em nós. Quando Deus escolhe, Ele quebra a resistência do homem e o faz se dobrar diante Dele. É nisso que acreditamos.

ASSUNTO: AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA

TEMA: GRAÇA IRRESISTÍVEL, VOCAÇÃO EFICAZ - O ELEITO NÃO RESISTE À VONTADE DE DEUS PARA SEMPRE

1. COMO ESTÁ O HOMEM EM SEU ESTADO NATURAL?

A Escritura chama o homem sem Cristo de homem carnal ou natural (I Co 2.14) e chama o homem que foi salvo por Cristo de homem espiritual (I Co 2.15), iremos tratar aqui sobre sem Cristo, no seu estado natural e adâmico, devido a isto iremos extrair algumas lições expostas a seguir.

I. Ele está alheio as coisas de Deus.

O homem natural, isto é, aquele que ainda está fora de Cristo vive de modo alheio a vida de Deus, conforme nos indica Paulo: (Ef 4.18), sobre este homem alheio a Deus iremos aprender algumas verdades.

a) Ele não aceita as coisas do Espírito Santo. I Co 2.14

Paulo tratando do homem sem cristo vai nos informar que este homem rejeita as ações do Espírito Santo, observemos; “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2.14). O apóstolo vai nos dizer que o homem sem Cristo naturalmente vai dizer não ao evangelho, vejamos: I. Ele resiste ao Espírito Santo (v.14a). II. Ele não entende o que vem do Espírito Santo (v.14b). III. Ele não tem discernimento espiritual (v.14c).

b) Ele não tem forças para ir até Cristo. Jo 6.44, 65,

Jesus no seu sermão após a multiplicação dos pães afirmou que homem nenhum pode ir até Ele sem que haja uma ação de Deus no seu interior, esta ação interior de Deus que leva o pecador a crer no evangelho é chamada pela teologia de Graça irresistível ou vocação eficaz, vejamos a passagem: 44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. 65 E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6.44,65). Jesus vai nos dizer que: I. Nenhum homem vai a Cristo ou se prepara para isto por suas próprias forças (v.44a). II. O homem vem a Cristo somente depois de uma intervenção de Deus no seu coração (v.44b). III. Somente vem a Cristo aqueles que o Pai conceder (v.65).

c) Ele resiste a ação de Deus. At 7.51

Estevão, primeiro mártir da igreja, fala de modo duro contra aqueles homens falando sobre a sua situação espiritual rejeitando ao agir do Espírito Santo, segundo a passagem transmite: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis” (At 7.51). Sobre aqueles homens Estevão disse que: I. Aqueles tinham o coração rígido ou endurecido: Dura Cerviz (Gr. “Sklêrotrachêloi”, Entendimento rígido, duro) (v.51a). II. Eles rejeitavam a Deus no coração e recusavam a ouvir a Palavra de Deus (v.51b). III. Eles resistiam a ação do Espírito Santo na sua vida (v.51c; I Co 2.14).

d) Ele vive contrário a tudo que é de Deus. Rm 3.10-18

Estes homens sem Cristo resistem a Cristo e vivem uma vida totalmente distante de Deus, fazendo tudo que Deus não se agrada, observe: 10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, 14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; 15 são os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; 17 desconheceram o caminho da paz 18 Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3.10-18). Sobre este homem em seu estado natural, o texto diz que: 1. O ser humano é totalmente depravado em seu ser (v.10, 12). 2. O pecado atingiu o ser humano nas suas palavras (vv.13-14). 3. O pecado atingiu todas as ações humanas (vv15-17). 4. O pecado atingiu todas os pensamentos (v.11). 5. O pecado é uma ofensa direta a Deus (v.18). Assim vivem os que estão sem Cristo, resistindo a Deus, mergulhados no pecado!

II. Ele vive um estado de miséria espiritual.

a) Ele está morto (incapaz) em seus pecados. Ef 2.1

O texto nos informa que o homem sem Cristo não está apenas adoecido como afirmam alguns, mas morto, observemos: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). Morto tem vontade? Não, então o homem sem Cristo não tem vontade livre, mas escrava (Jo 8.34). Morto tem iniciativa? Não, então não foi o homem que buscou Deus, o Senhor que o encontrou (Lc 15.3-7), Morto pode se levantar do caixão? Não, então o homem sem Cristo está totalmente incapaz de ir até Cristo ou se preparar para isto, Deus que o conduz (Jo 6.65).

b) Ele está escravo do mundo, diabo e carne. Ef 2.2-3a

O texto vai nos informar que o homem morto espiritualmente é escravo, veja: 2 Nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.2-3a). No estado de miséria espiritual o homem em uma escravidão em três aspectos: I. Ele é escravo do mundo (v.2), sistema de coisas contra Deus. II. Ele é escravo do diabo (v.2), ele opera nos filhos da desobediência, quem vive no pecado. III. Ele é escravo da carne (v.3), isto é, da natureza caída em adão.

c) Ele está debaixo da ira de Deus. Ef 2.3b; Jo 3.36

A Escritura ainda vai informar que estas pessoas são filhas da ira, observe: “[...] éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (v.3b). Ele é filho da ira por que descende de Adão (At 17.26), nasceu com o pecado (Sl 51.5), esta ira permanece sob os não convertidos, vejamos: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36). O texto indica que existem dois tipos de pessoas: I. Aqueles que creem em Jesus: Recebem vida eterna, sai de debaixo da ira de Deus (v.36). II. Os que não creem em Jesus: Vivem debaixo da ira de Deus, não terão vida eterna.

APLICAÇÃO: A doutrina da graça irresistível não se refere aos ímpios, pois estes sempre rejeitam a Palavra de Deus e ao próprio Deus. O homem no seu estado natural sempre irá resistir a Graça, desprezará a salvação que Cristo oferece, aliás, esta é rejeição é constante, sem uma intervenção de Deus, ele continuará desprezando a Cristo.

2. A VOCAÇÃO EFICAZ E SEUS PORMENORES.

O chamado de Deus tem duas vertentes: Chamado Geral, a pregação do evangelho que alcança todos os ouvidos; Chamado Eficaz, a pregação do evangelho que alcança os corações de alguns, estes crerão no evangelho. Vamos examinar cada um destes chamados individualmente a seguir.

I. Existe uma vocação externa e geral.

Como citado anteriormente, o chamado externo e geral se refere à pregação do evangelho, esta responsabilidade é da igreja, divulgar o evangelho, fazer Cristo conhecido (Rm 15.20), anunciar a todas as nações (Sl 96.3), algumas lições:

a) Esta vocação é a pregação do evangelho. Mc 16.15

Jesus disse que os seus discípulos deveriam pregar a sua Palavra a toda e qualquer pessoa, vejamos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Algumas lições: I. Anunciar o evangelho é uma ordem de Jesus (v.16). II. O evangelho deve ser anunciado em todos os lugares (v.16b). III. O evangelho deve ser anunciado a todas as pessoas (v.16c). A vocação externa é esta pregação que Cristo nos deixou para fazer.

b) Esta vocação é um convite aos ouvidos. Mc 4.23

A vocação externa (pregação) alcança os ouvidos daqueles que nos dirigimos a eles, segundo afirma a passagem: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mc 4.23). A Bíblia nos diz exatamente que este chamado externo (pregação) precisa ser divulgado, pois é a Palavra que servirá de base para o julgamento (Jo 12.48), pois os homens devem guardar a Palavra, mas antes precisa ouvir (Tg 1.22), pois não podemos obedecer ao que não conhecemos.

c) Esta vocação é denominada nos evangelhos e atos de “chamado”. Mt 22.14

A Bíblia fala da pregação em termos de um chamado (Gr. Kletoi”, convite), vejamos: “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14). A pregação é um convite aos ouvidos, o homem precisa ouvir a palavra de Deus depois guardar (Ap 1.3), todos os dias os homens estão sendo convidados pelo evangelho para o arrependimento (Mt 4.17), mas se esta mensagem chegar apenas aos ouvidos não traz salvação.

d) Esta vocação pode ser resistida pelos homens. II Tm 4.14-15

A vocação externa (pregação) como é um convite aos ouvidos pode ser resistida pelos homens segundo Paulo informa: 14 Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. 15 Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras” (Tg 4.14-15). Alexandre, o latoeiro, embora estivesse dentro da igreja, mas não era convertido, era um ímpio transvestido de cristão, ele resistiu a pregação, pois a pregação não lhe chegou ao coração, apenas aos ouvidos.

e) Esta vocação pode ser ouvida, entendida e ainda assim rejeitada pelo homem natural. Rm 10.18-21

A pregação foi dirigida ao povo de Israel, mas os descendentes naturais de Abraão rejeitaram esta pregação, pois eles não tiveram seu coração transformado, estavam endurecidos, vejamos: 18 Mas pergunto: Porventura, não ouviram? Sim, por certo: Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. 19 Pergunto mais: Porventura, não terá chegado isso ao conhecimento de Israel? Moisés já dizia: Eu vos porei em ciúmes com um povo que não é nação, com gente insensata eu vos provocarei à ira. 20 E Isaías a mais se atreve e diz: Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim. 21 Quanto a Israel, porém, diz: Todo o dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente”. O texto nos informa que: I. Eles ouviram a pregação (vv.18-19). II. Eles viram o reino ser passado aos gentios que creram no evangelho e eles ficaram com ciúmes (v.19). III. Eles viram um povo que não fazia parte da aliança ser alcançado (v.20). IV. Eles não foram alcançados pela pregação cristã por que foram rebeldes e resistentes (v.21). O homem, mesmo sendo descendente de Abraão, no seu estado natural, rejeita o evangelho.

f) Esta vocação servirá de juízo para os homens no grande dia. Jo 12.48

A palavra pregada (vocação externa) irá levar as pessoas que rejeitar à eterna condenação, pois esta palavra julgará no último dia, segundo o texto diz: “Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo 12.48). A Palavra quando resistida pelo ouvinte se torna tal qual uma espada, ela exerce juízo e condenação.

II. Existe uma vocação interna e eficaz.

A vocação interna é eficaz é a pregação que entra no coração do pecador através de uma intervenção do Espírito Santo que tira a cegueira (Ef 1.18), abrindo o entendimento (Lc 24.45), levando o salvo a se santificar (II Ts 2.13). A vocação eficaz ou Graça Irresistível deve ser examinada dentro das Sagradas Escrituras, vejamos algumas lições:

a) Esta vocação é eficaz porque é a pregação que entra no coração. Jr 31.33

O profeta vai trazer a informação que a vocação eficaz acontece por que o próprio Deus impregna a sua Palavra no coração, observe: “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31.33). Não é o homem que recebe a Palavra por si só, Deus é quem coloca esta Palavra no seu coração.

b) Esta vocação é eficaz porque o próprio Deus abre o coração da pessoa para crê na pregação. At 16.14

Outra verdade que a Bíblia afirma com relação à Vocação Eficaz é que Deus é quem abre o coração do pecado para crer, segundo atesta a passagem: “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (At 16.14). Não foi Lídia que abriu o coração para Jesus, foi o próprio Senhor que abriu o coração dela para que cresse no evangelho pregado por Paulo. Talvez você fica na duvida e cite Apocalipse 3.20 quando Cristo afirma que está à porta e bate e se alguém ouvir a sua voz, Ele entrará, mas precisamos entender que o texto não se refere a não-crentes, mas a crentes de Laodiceia, enquanto que o texto de Atos 16.14 se refere a uma mulher que não era cristã. O texto deve ser interpretado dentro de um contexto.

c) Esta vocação é eficaz porque é o próprio Deus que retira as trevas da cegueira que o diabo colocou no coração das pessoas. II Co 4.4-6

A vocação eficaz acontece no coração levando o homem à conversão porque Deus retira toda a cegueira espiritual para que todo homem possa crer no evangelho, consoante o texto indica: 4 Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. 5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. 6 Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (II Co 4.4-6). O texto indica algumas verdades: 1. O diabo cega os incrédulos para que a luz do evangelho não resplandeça neles (v.4). II. A pregação Cristocêntrica é a maneira correta de retirar a cegueira espiritual (v.5). III. Deus leva a pregação do evangelho ao coração tirando a cegueira, iluminando-nos para salvação (v.6). Deus é quem intervém para que a pregação penetre no coração e traga libertação e salvação.

d) Esta vocação é eficaz porque não foi somente as palavras que chegaram às pessoas, mas o poder do Espírito Santo para fazer estas palavras surtirem efeito salvador. I Ts 1.4-5

O Senhor vai nos informar através de Paulo que o evangelho penetra no coração do homem de modo eficaz porque o evangelho não foi proclamado somente com as palavras, mas com o poder do Espírito Santo, segundo observamos: 4 Reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição,5 porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós” (I Ts 1.4-5). Assim sendo, a pregação penetra dentro do coração e traz a salvação por causa da ação poderosa do Espírito Santo, não é causada pelo pregador ou pela pessoa salva, mas pelo próprio Deus.

e) Esta vocação é eficaz porque foi o próprio Deus que chamou, nos tornando salvos. Rm 8.30

Paulo fala sobre este chamado de Deus como um fato consumado sobre aqueles que Deus predestinou para salvação, segundo a passagem: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Aqueles que o Pai predestinou, Ele chamou (vocação eficaz), justificou (perdoou) e glorificou. Todos os verbos estão no pretérito perfeito, indicando um fato consumado, no plano de Deus tudo já é fato acontecido, embora os fatos se realizem na história, eles já estão entrelaçados desde toda a eternidade, mas o chamado pela pregação é o que se torna visível para nós e para ser recebido tem que ter uma intervenção do Espírito Santo (Ef 1.18).

f) Esta vocação é eficaz porque Ela não depende do homem, mas do agir de Deus. Jr 31.3

A pregação para alcançar o coração do pecador necessita de uma intervenção divina, pois o homem caído não teria condições de fazer isso sozinho (Jo 6.44,65), vejamos este texto de Jeremias: “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr 31.3). O profeta nos ensina que: I. Deus nos viu longe Dele no pecado (v.31a), Ele olhou e viu que todos estavam longe Dele (V.31a). II. Deus amou com amor eterno (v.31b), isto é, Deus nos amou desde os tempos eternos (Ef 1.3-6). III. Deus nos atraiu para si (v.31c), ou seja, aqui trata da vocação eficaz na qual Deus atrai pecadores para si (Jo 12.32). 

g) Esta vocação eficaz é a regeneração. Jo 3.3; Jo 1.11-13

Esta vocação eficaz também é chamada de novo nascimento, este termo é o equivalente a regeneração (Gr. “Palingenesis”, nova criação, segundo está escrito: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). A ideia é que Deus recria o ser humano para salvação, o primeiro homem criado caiu em desgraça e Deus através de Cristo, Ele traz uma nova criação nos fazendo novas criaturas. Ainda sobre a regeneração, podemos aprender que ela nos tira de uma vivência de criatura para a filiação a Deus, pois somos adotados por Ele, vejamos: 11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.11-13). Podemos observar algumas lições, tais que: 1. Cristo foi rejeitado por alguns (v.11). II. Ele é recebido por outros que se tornam filhos de Deus ao crer e receber a Cristo (v.12). 3. Aqueles que creem não creram por vontade própria, mas por uma ação de Deus (v.13). No final vemos que o novo nascimento acontece por que Deus agiu no coração (vocação eficaz).

APLICAÇÃO: O homem depois que Deus abre seu coração, tira a cegueira do coração, ilumina a mente, receberá a Cristo como seu Senhor e Salvador, pois não está mais morto nos pecados nem escravo da carne, mundo a diabo. Ele não resistirá o chamado de Deus, fará tal como Levi que ao ser chamado por Cristo deixou tudo para segui-lo: 27 Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me! 28 Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu” (Lc 5.27-28). Levi não conseguiu resistir a Cristo!

3. COMO SABER SE JÁ FUI ALCANÇADO POR ESTA GRAÇA EFICAZ?

Quando somos alcançados por esta graça especial e eficaz no nosso coração, nós não queremos mais viver na prática do pecado, não queremos mais rejeitar a Cristo, ao ouvimos a sua voz seguimos ele imediatamente (Jo 10.27), abaixo veremos alguns resultados que ocorre conosco quando Deus alcança nosso coração com a graça eficaz. Algumas lições importantes serão enfatizadas.

I. Eu me arrependo dos pecados. At 3.19

O arrependimento é necessário para que os nossos pecados sejam perdoados, observe: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). Ninguém será salvo sem arrepender-se, pois esta é a porta de entrada no reino de Deus (Mt 3.2).

a) Junto com este chamado eficaz, Deus traz arrependimento. At 5.31; At 11.18; Rm 2.4; II Co 7.9-10

O arrependimento não é uma inciativa do coração humano por suas próprias forças, mas Deus é quem concedeu arrependimento aos judeus: “Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). Ele também colocou esta benção nos gentios: “E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (At 11.18). Deus coloca o arrependimento no homem não por ver merecimento no homem, mas por causa da sua bondade: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Rm 2.4). O arrependimento vem através de uma tristeza por termos feito algo errado, vejamos: 9 Agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis.10 Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (II Co 7.9-10). Paulo trata de dois tipos de tristeza aqui: I. A tristeza gerada pelo mundo (remorso) que causa destruição e não mudança (v.10), tipo Judas que foi se enforcar (Mt 27.1-5). II. A tristeza segundo Deus gera arrependimento para salvação,(v.10) exemplo de Pedro (Lc 22.62). O arrependimento provém de Deus, por causa da graça eficaz de Deus, Ele coloca em nós.

b) Junto com este chamado eficaz, Deus traz o arrependimento e com este vem o desejo de deixar o pecado. Jo 8.11; Pv 28.13

O arrependimento não é um mero balbuciar com um pedido de desculpas, próprio do evangelicalismo moderno, mas deve vir acompanhado de um abandono do pecado, Jesus nos ensina isso: “Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8.11). A mulher que foi pega em flagrante adultério foi livrada da morte por Jesus, mas Ele dá o ultimato, dizendo que ela deveria largar daquela vida pecaminosa, pois o arrependimento só é real se houver abandono do pecado. O sábio também escreveu que o homem encontra a misericórdia de Deus para o perdão se ele não apenas confessar seus erros, mas deixar de praticá-los, segundo o texto informa: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Não basta dizer que está arrependido, precisa largar todo o pecado produzindo frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8-10).

c) Junto com este chamado eficaz, Deus traz o arrependimento e junto com este uma volta para Deus.  Os 14.1-2

Além do ser humano deixar o pecado, deve também voltar-se para Deus, conforme o texto demonstra: 1 Volta, ó Israel, para o Senhor, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído. 2 Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe: Perdoa toda iniquidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios” (Os 14.1-2). Imagine um viciado que percebeu o mal que fez para si e para outros, ele então procura ajuda e deixa os vícios, mas não se volta para Deus, o que houve nele não foi um arrependimento verdadeiro, pois se assim houvera acontecido, ele se voltaria para Deus e se entregaria a Ele. O texto aponta que o povo de Israel estava caído no pecado (v.1), Deus então os convida para se arrepender e voltar para Ele (vv.1-2), eles deveriam deixar de oferecer um culto religioso para oferecer um culto que vem dos lábios (v.2). Volte-se para Deus, somente assim seu arrependimento será verdadeiro.

II. Vivendo uma vida de Santidade.

a) Uma vida de santidade é uma vida de boas obras. Ef 2.10; Is 26.12

A Bíblia diz que a salvação é pela graça, por meio da fé, tudo isso é dom de Deus sem obras (Ef 2.8-9), mas a Palavra de Deus afirma que depois de salvos devemos viver uma vida de boas obras, conforme a passagem indica: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). O texto nos diz algumas verdades sobre nós depois de salvos: 1. Deus nos criou novamente à imagem do seu Filho (v.10a). 2. Deus nos criou novamente em Cristo para as boas obras (v.10b). III. As obras boas que praticamos já foram preparadas por Deus para as praticarmos (v.10c). O profeta Isaías nos afirma que as nossas boas, não nós que fazemos, mas Deus que faz em nós, confira: “Senhor, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós” (Is 26.12). Até as boas obras que nós praticamos provém de Deus!

b) Uma vida de santidade é uma vida digna de quem foi chamado por Deus. Ef 4.1

Paulo vai definir a vida de santidade do cristão como alguém que vive dignamente como cristão: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1). Alguém que foi salvo por Cristo deve andar como um verdadeiro cristão, pois não tem como alguém ser salvo e querer viver na prática do pecado (I Jo 3.9). Se alguém quer viver no pecado, ele não é um salvo.

c) Uma vida de santidade é saber que:

A. Deus já nos santificou definitivamente quando nos perdoou os pecados. Hb 10.14; I Co 1.1; II Co 1.1

A Escritura nos fala de um tipo de santidade recebida de uma vez por todas através da obra de Cristo, na qual todos os nossos pecados foram perdoados, vejamos: “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb 10.14). A nossa santidade atual acontece porque Cristo já nos aperfeiçoou quando se ofereceu por nós na cruz. Os cristãos são chamados de santos na Igreja de Corinto, conforme o texto aponta:  “Á igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (I Co 1.2). Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos em toda a Acaia” (II Co 1.1). Todo cristão é santo, pois Cristo com sua obra já o santificou definitivamente de uma vez por todas.

B. Deus nos santifica progressivamente na vida cristã.  Ef 4.13; Fp 3.12-14

A santidade cristã também é vista como um progresso, enquanto aqui vivermos não seremos perfeitos (I Jo 1.8,10), devido a isto que nós perseguimos este avo todos os dias até chegar à perfeição, vejamos: “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.14). Sobre esta busca da santidade aprendemos que: I. Buscamos a santidade até chegarmos à unidade da fé (v.14a). II. Buscamos a santidade até chegarmos ao pleno conhecimento de Cristo (v.14b). III. Buscamos a santidade até que cheguemos ao estado de varão perfeito (v.14c). IV. Buscamos a santidade até que cheguemos à plenitude de Cristo (v.14d). Tudo isso somente acontecerá somente quando chegarmos na glória! Ainda podemos aprender que prosseguimos em santidade deixando tudo para trás e caminhando para que interessa, vejamos: 12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, 14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.12-14). O processo de santidade tem alguns aprendizados: 1. Não conseguiremos alcançar a perfeição nesta vida (v.12a). 2. A santidade é um processo para conquistar a perfeição (v.v.12b). 3. A santidade somente acontece porque Cristo já nos conquistou para isso (v.12c). 4. A santidade acontece abandonando tudo que não nos faz crescer (v.13a). 5. A santidade se dá caminhando sempre em um progresso (v.13b). 6. A santidade tem um alvo supremo que é alcançar a perfeição no céu com Cristo (v.14). Santidade é processo, não retrocesso, quem retrocede não está vivendo como salvo.

C. Deus nos santifica através de três elementos:

Deus usa elementos para nos santificar, citamos aqui três que são imprescindíveis para vivermos uma vida de santidade maiúscula diante de Deus: I. Bíblia: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17); II. Oração: Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I 1.9). III. Igreja: 26 Para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.26-27)

D. Deus nos santifica para desenvolvermos a salvação que Ele nos deu. Fp 2.12

A Palavra de Deus nos informa que a santificação é o desenvolvimento da salvação, conforme o texto relata: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12). A passagem está afirmando categoricamente que o cristão deve desenvolver a sua salvação, isto é, aqui trata-se de santidade, um cristão não foi feito nascido de novo para viver bebê a vida toda, mas para crescer na vida cristã, isto acontece em santidade de vida.

E. Deus nos santifica segundo o seu querer e realizar. Fp 2.13

O texto de Filipenses 2.12 que traz o cristão com a responsabilidade de desenvolver a sua salvação é acompanhado de outra verdade solene que o cristão somente consegue realizar este desenvolvimento com uma intervenção de Deus, vejamos: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). A vontade de santificar-se e ação de buscar ser santo é colocada em nós por Deus, assim sendo não há santidade sem uma intervenção de Deus. A santidade também é dada por Deus ao seu povo.

F. Deus nos santifica para a sua glória. Mt 5.13-16

A vida de santidade deve servir para que Cristo seja visto e honrado nas nossas vidas, conforme Jesus nos afirma no Sermão do Monte: 13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. 16 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obrase glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13-16). Cristo ensinou sobre nosso testemunho usando dois elementos muito utilizados na época, o sal e a luz da candeia, ele nos ensina que: 1. O nosso testemunho deve ser como o sal, impedir a podridão do mundo e dar sabor á vida (v.13). 2. Se o cristão deixa de ser sal o seu testemunho se torna infrutífero (v.13). 3. O testemunho do cristão deve ser como a luz, não deve se esconder, mas apresentar Cristo por suas palavras e vida (v.14-15). 4. O testemunho do cristão não deve visar que homens sejam exaltados, mas que Deus seja glorificado (v.16). Viva em santidade, pois assim Deus será visto e glorificado em você.

G. Deus nos santificará finalmente no céu. I Jo 3.1-3

A santidade do cristão finalmente será completa quando ele adentrar as mansões celestiais e passar a gozar da presença de Cristo para sempre, segundo João afirma: 1 Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. 2 Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. 3 E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (I Jo 3.1-3). O apóstolo nesta carta nos diz algumas verdades sobre a nossa santidade como filhos de Deus: 1. Deus já nos adotou como seus filhos e nos separou da maldade do mundo (v.1). 2. Deus tem revelações mais gloriosas para seus filhos no céu (v.2). 3. Seremos totalmente santos e veremos a Cristo como Ele é (v.2). 4. Somente irá ser totalmente santo no céu o que se santificou na terra (v.3; Hb 12.14). Seremos santos totalmente no céu com corpos gloriosos e veremos a Cristo como Ele é (Fp 3.20-21).

III. Promovendo a glória de Deus por meio da evangelização. Is 6.1-13

Aquela pessoa que foi alcançado pela graça eficaz de Deus e recebeu a salvação, ele deseja anunciar o evangelho aos perdidos, anunciar Cristo para que o homem creia Nele, nós iremos basear-se na visão do chamamento do profeta Isaías para tratarmos desta verdade.

a) A glória de Deus vem antes de todas as coisas. Is 6.1-4

O ser humano é totalmente religioso, até os que dizem não crer em nada, os homens tem a ideia de um ser superior, de alguém elevado, alto que comanda tudo, quando olhamos para a natureza vimos sua majestade exposta (Sl 19.1), o profeta Isaías antes de ver sua necessidade de salvação viu a glória de Deus, de forma singular, sobre isto vemos algumas lições.

1. Ele está assentado no trono do universo. V.1

O rei Uzias foi um rei piedoso que conduziu o povo para perto de Deus, agora que Ele temia que o povo voltasse as práticas pecaminosas, Deus faz ele ver a glória de Deus, assentado num trono do qual comanda todo o universo, consoante está escrito: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo” (v.1). O profeta viu que Deus governava não apenas Israel, mas todo o universo, sua presença era tão grande que somente as abas das suas vestes cobriam todo o universo, pois a palavra templo e santuário também é uma referência ao universo (Sl 150.1). Deus é tão grande que sua presença cobre todo o universo. Este é o seu Deus, Ele é o seu Pai, Ele é governador do universo. Nada foge ao seu controle.

2. Ele tem a sua gloria santa vista nos céus. V.2

Este Deus é adorado na céu, aqui na passagem criaturas angelicais o adoravam constantemente, conforme o texto indica: “Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava” (v.2). aqueles serafins tinham seis asas com duas asas cobriam o rosto (não podiam olhar para Deus devido a Santidade Dele), com duas cobriam os pés (reverenciavam o Senhor) e com duas voavam (adoravam o Senhor). Deus é exaltado nos céus, este Deus que Isaías viu sendo glorificado era Jesus (Jo 12.41).

3. Ele tem a sua glória espalhada por toda terra. V.3

Os Serafins na sua adoração eles expressaram palavras de exaltação a Deus, vejamos: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (v.3). Os serafins não se atreviam a olhar para Deus nem falar a Ele, falavam uns para os outros (v.3a). Eles diziam justamente que a glória do Senhor estava enchendo toda a terra (v.3b). Este Deus é glorificado na terra inteira, em todos os cantos do universo há uma canção de louvor ao Senhor, tudo diz glória (Sl 29.9)

4. Ele tem a sua glória visto no seu poder. V.4

O poder de Deus é visto nas falas dos anjos poderosos, vejamos: “As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça” (v.4). A Escritura Sagrada afirma que houve um mover na hora que eles clamavam e a casa se encheu fumaça, isto demonstrava o Shekiná de Deus descendo, seu poder manifesto. Deus é glorificado em poder, Ele terrível em toda a terra (Sl 76.7).

b) Depois de ver a glória de Deus vemos nossa condição.

Depois do profeta ver a majestade de Deus, viu sua própria situação de pecador, observou seu próprio pecado, examine que ele não viu o pecado dos outros antes do seu, primeiro viu o seu para depois pregar aos outros, sobre esta visão de si mesmo que Isaías teve podemos observar algumas lições preciosas.

1. Vemos a falência humana para buscar ao Senhor por seus próprios méritos. V.5

O profeta observou desesperado sua condição de pecador diante de um Deus que é totalmente santo, vejamos: “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (v.5). Isaías observou que tanto ele como seu povo eram impuras, afirma que estava perdido por ter uma grande visão deste Deus Tão poderoso e santo. Ele reconhece semelhante a Pedro sua pecaminosidade e estado de perdição sem Deus. Sendo um pecador, o homem não tem nenhum merecimento diante de Deus, ele é humano e sem uma ação de Deus jamais iria buscar o seu favor (Jo 6.44). Sem Deus o pecado nada pode fazer (Jo 15.5), estará totalmente perdido!

2. Vemos que apesar da falência humana, o Senhor vem em seu socorro para perdoar.  V.6-7

Apesar de ser um pecador, o profeta viu que Deus estava interessado em lhe perdoar, não somente isto Ele queria lhe purificar, observemos: 6 Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; 7 com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado” (vv.6-7). O texto nos indica algumas lições importantes: a) A iniciativa de perdoar foi Deus antes do homem buscar perdão (v.6). b) Deus nos purifica dos pecados (v.7a). c) Deus traz perdão gracioso para o arrependido (v.7b). Dentro da falência humana, a graça de Deus age e traz pleno perdão.

c) Depois de vermos nossa condição e a disposição perdoadora do Senhor, enxergamos a obra missionária. V.8-12

Isaías depois que viu a glória de Deus, seu próprio pecado, a ação perdoadora do Senhor, também viu o chamado para evangelizar, assim sendo alguém que Deus abriu seu coração (At 16.14-15), iluminou os olhos do seu coração para crer no evangelho (Ef 1.18), vai querer pregar a Palavra para os perdidos. Sobre a obra missionária examinaremos algumas verdades.

1. Vemos que a missão é um chamado de Deus.  V.8a

O profeta disse que ouviu voz do Senhor lhe chamando para a obra missionária, consoante a passagem: “Depois disto, ouvi a voz do Senhor [...]” (v.8a). O chamado para evangelizar é um chamado de Deus para todo crente, pois todo coração com Cristo é um missionário e todo coração sem Cristo é um campo missionário. Quando o crente não evangeliza achando que está prejudicando o pastor da igreja, ele está na verdade desagradando a Deus. A voz que Isaías ouviu convocando-o para fazer missões não foi do homem, foi de Deus. Obedeça a voz de Deus e pregue o evangelho.

2. Vemos que a responsabilidade é nossa de dizer sim a Deus.V.8b

Depois de ouvir a voz de Deus dando um comando para anunciar a mensagem de Deus para ser divulgada, essa convocação requeria uma resposta de sim ou não, pois para Deus não meio termo, nem se pode ficar em cima do muro, a resposta de Isaías foi sim ao chamado do Senhor, conforme o texto nos apresenta: “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim (v.8b). pare de usar desculpas para não evangelizar, pois Deus já te convocou e sua resposta é sim ou não. Já de decidiu?

3. Vemos que o conteúdo da mensagem é Deus que determina. V.9-10

A mensagem que o profeta foi enviado a pregar não era nada fácil, porque Deus estava julgando o povo de Israel por causa do seu pecado, assim sendo a pregação que Deus entregou ao profeta era de um rígido juízo, olhemos o texto: 9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. 10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo” (vv.9-10). Deus enviou por meio do profeta uma mensagem dura, ele não mudou a mensagem para agradar a freguesia, pelo contrário, falou toda a mensagem de Deus contra o pecado do povo.

4. Vemos que os resultados da mensagem vêm de Deus e não de nós. V.11-13

A mensagem do profeta apesar de ser dura e de juízo trouxe resultados salvíficos, segundo o texto aponta: 11 Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada, 12 e o Senhor afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. 13 Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco” (vv.11-13). O texto apresenta a verdade que Deus não depende do ser humano para intentar seus planos, nesta mensagem Deus alerta sobre o juízo que viria sobre o povo de Israel, as cidades seriam desoladas e ficariam desertas sem moradores (v.11), os homens seriam retirados da terra e ela seria desamparada (v.12), por fim ficaria somente um toco sem valor algum, neste Deus fará brotar sua santa semente (v.13). O resultado da mensagem é Deus que traz, devemos pregar a mensagem que Deus nos ordena na sua palavra e Deus fará o resultado, ainda que fique somente um toco queimado e sem valor, dele Deus faz brotar a semente santa. Você foi alcançado pela graça de Deus? Pregue o evangelho!

APLICAÇÃO: Vimos que aqueles que foram alcançados pela graça de Deus irão se arrepender dos seus pecados porque o próprio Deus coloca este arrependimento: E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (At 11.18). Viverão em santidade porque o próprio está neles fazendo as boas obras da santidade: Senhor, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós” (Is 26.12). Aqueles que foram alcançados pela graça de Deus irão pregar o evangelho, mas o resultado da pregação vem de Deus, Ele é quem traz os pecadores à igreja: “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47). Você já foi alcançado pela graça de Deus? A vocação eficaz é o chamado de Deus para a salvação, aquele chamado que você não resiste e quer servir a Jesus, estar perto Dele, viver para Ele e se alegrar Nele. Você já sente este chamado no seu coração? Já sente que seu lugar é ao lado de Jesus? Quer proclamar para todas as pessoas que sua vida pertence a Ele?

REFERÊNCIAS

A Bíblia de Estudo de Genebra. Textos e Notas de Rodapé. 2 ed. Ampl. São Paulo - SP: Cultura Cristã, 2010.

A confissão de Fé de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. 1 Ed. Campinas - SP: LPC, 1985.

CASIMIRO, Arival e; CALLI, Paulo. Rede de Discípulado I. 1 Ed. 2012. Santa Bábabara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2012.

CASIMIRO, ARIVAL. Rede de Discipulado II. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2015.

MARTINS, José. O Homem e a Salvação. 1 Ed. Patrocínio - MG: CEIBEL, 1975

NASCIMENTO, Adão Carlos. Razão da Nossa Fé. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

_________________________. O que Todo Presbiteriano Inteligente Precisa Saber. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste: Z3 Editora, 2007

_________________________. Curso de Catecùmenos. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2008.

O Breve Catecismo de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios -Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

O Catecismo Maior de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

Os Cânones de Dort. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

PIPER, John. Cinco Pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1 ed. São José dos Campos: Fiel, 2014.

AUTOR: Pastor Veronilton Paz da Silva.

AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA - LIÇÃO 4 (PARTE II)

TEXTO: ATOS 18.9-10

INTRODUÇÃO

A Fé Reformada abraça a convicção da redenção particular. Também ensina que o evangelho deve ser pregado a todos. Fala que devemos pregar a todos, mas apenas alguns serão salvos pela graça. É coerente este ensino? Vamos analisar à luz das Escrituras

ASSUNTO: AS MARAVILHOSAS DOUTRINAS DA GRAÇA

TEMA: EXPIAÇÃO LIMITADA - A MORTE DE CRISTO E A OFERTA DO EVANGELHO

1. A OFERTA UNIVERSAL E A REDENÇÃO PARTICULAR.

I. A doutrina da redenção particular.

A doutrina da redenção particular trata da eficácia da obra de Cristo, largamente exposta nas Escrituras, apenas pela igreja (At 20.28), que é formada pelos eleitos (Rm 8.33,34), assim sendo, de modo eficaz e salvador Cristo morreu apenas por algumas pessoas. Negar esta doutrina é negar claramente as Escrituras Sagradas, iremos observar alguns aspectos desta doutrina bíblico-teológica a seguir.

a) Cristo morreu para salvar apenas quem crê, mas sua morte tem poder para salvar todos. Jo 3.16

O sacrifício é descrito em termos de poder e eficácia segundo observamos a seguir: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Algumas lições que podemos aprender as verdades: I. A Suficiência da morte de Cristo – o mundo inteiro (v.16a). II. A forma da expiação ser feita – Uma oferta de Deus pelos pecados (v.16b). III. O objetivo da morte de Cristo – salvar os que creem (v.16c).

b) Virão a Cristo para salvação aqueles que o Pai lhe entregou. Jo 6.37, 44; Jo 17.6,9,20

Para ser salvo os homens precisam vir a Cristo para ser salvo (Jo 5.40), mas estas pessoas vêm a Cristo sozinhas? Ou será que elas precisam de uma intervenção externa para isto? Vejamos: 37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). Algumas lições aprendidas: 1. O Pai entregou homens ao seu Filho (v.37a). 2. Virão a Cristo somente os que o Pai lhe deu (v.37a). II. Eles não serão jogados para fora (v.37c). A Escritura continua dizendo que nenhuma pessoa irá a Cristo sem que o Pai o traga, observemos: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Cristo na sua oração sacerdotal intercedeu apenas pelos que o Pai lhe deu tanto naquela época como em toda a história, segundo o texto nos indica: 6 Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. 9 É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (Jo 17.6,9,20). Cristo salva pela sua expiação apenas os homens que o Pai lhe deu deste mundo. Isto é, não morreu para salvar todos, mas aqueles que o Pai lhe deu.

c) A morte de Cristo é resultado da eleição e não o contrário. I Pe 1.1-2

Já observamos vários textos sobre a expiação de Cristo pelos eleitos, mas o texto de Pedro deixa tudo bem claro, conforme observamos: 1 Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, 2 eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (I Pe 1.1-2). Cristo morreu para salvar aqueles que o Pai tinha escolhido antes da fundação do mundo, isto é, Ele não morreu para salvar todos, mas os que o Pai elegeu.

II. A redenção particular e a oferta do evangelho. Rm 10.17

Algumas pessoas chegam a dizer que se Cristo morreu para salvar os eleitos, então nós não precisaríamos pregar o evangelho, nada mais falso, pois a Bíblia diz que os eleitos virão pela pregação do evangelho, conforme Paulo afirma aos Romanos: E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Se a fé vem por meio da pregação, então não somos isentos de pregar a Palavra, pois é por meio da pregação que os eleitos são alcançados para a salvação, ou seja, aqueles que Cristo alcançou com a sua morte, ouvirão a Palavra e crerão, vejamos algumas lições importantes sobre o assunto.

a) O evangelho deve ser pregado a todos, mas Cristo salvará apenas alguns (igreja). At 18.9-10; At 20.28

Paulo teve uma visão para que pregasse o evangelho numa região, segundo o texto indica: 9 Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; 10 porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18.8-9). Aprendemos nesta passagem que: I. Paulo não deveria ter medo de pregar o evangelho (v.9). II. Paulo não deveria parar de pregar (v.9). III. Paulo deveria confiar na soberania de Deus para salvar os eleitos daquela cidade (v.10). A Escritura vai continuar afirmando a expiação limitada de Cristo à igreja, segundo podemos conferir: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28). Algumas lições: 1. A Igreja pertence a Deus, Ele é o seu dono (v.28). 2. Deus mesmo comprou a igreja com o seu sangue (v.28).

b) O evangelho vai ser pregado ao mundo, mas apenas alguns recebem fé salvadora. Mc 16.15-16; Tt 1.1

A pregação do evangelho é universal e exige crença de todos, verifiquemos: 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. 16 Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.15-16). Porém, o Senhor nos informa que somente terão fé salvadora para salvação os eleitos, consoante afirma o texto: “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1). A pregação alcança todos os ouvidos, mas somente penetra em alguns corações, gerando fé salvadora, estes são os eleitos (Ef 2.8; Tt 1.1).

c) O pregador não convence ninguém, Deus é quem convence alguns que destinou para salvação. Jo 16.8; At 13.48

Nós trabalhamos para o reino de Deus, pregando o evangelho, mas não conseguimos penetrar os corações, somente o Espírito Santo convence os pecadores para que creiam em Cristo, repare bem: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Será que Deus convence todos os homens para a salvação? A resposta óbvia é não. Aliás, a Bíblia afirma que não serão todos que crerão, mas apenas aqueles que o Pai destinou para a vida eterna, de acordo com a passagem: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). Ao anunciar a Palavra devemos entender que não converteremos ninguém, mas apenas anunciamos e Deus aplica a Palavra no coração. 

APLICAÇÃO: Examinamos aqui sobre a doutrina da Expiação Particular e a oferta livre do evangelho, vimos que sua morte tem poder para salvar todos, mas salva somente o que crê, que são os eleitos. O evangelho deve ser pregado a todos, mas somente os eleitos crerão (aqueles que o Pai lhe deu). A forma de Deus trazer os eleitos é a pregação fiel do evangelho.

2. A APRESENTAÇÃO DE CRISTO NO EVANGELHO.

I. Cristo é apresentado como o enviado de Deus para resgatar um povo. Mt 1.21

A Escritura vai limitar a obra de Cristo à salvação de libertação de um povo, vejamos: “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Jesus veio para salvar o seu povo do seu pecado e da eterna condenação, assim sendo, a expiação de Cristo quanto à sua eficácia é somente direcionada para um povo, este povo é a igreja de Cristo. Entender que a expiação de Cristo é somente pela igreja não nos fará deixar de pregar o evangelho, mas nos deixará cientes que Deus é quem faz a obra nos seus eleitos.

II. Cristo é apresentado como morrendo, ressuscitando e ascendendo para interceder por um povo. Rm 8.34; Hb 7.25

Paulo também deixa claro a expiação limitada, vejamos: 33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.33-34). Nestes versículos Paulo vai demonstrar que a obra de Cristo foi toda em favor dos eleitos, vejamos: I. Deus justificou os eleitos (v.33). II. Cristo morreu pelos eleitos (v.34). III. Cristo ressuscitou para viver com os eleitos (v.34). IV. Cristo está à direita de Deus para representar os eleitos (v.34). V. Cristo intercede pelos eleitos (v.34). A intercessão de Cristo garante a nossa segurança de salvação, segundo o texto informa: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25). A obra de Cristo foi somente pelos eleitos.

III. Cristo é apresentado como o que tomou o lugar de alguns. Is 53.10-11

A obra de Cristo foi para salvar algumas pessoas, uma posteridade espiritual, formada por muitos homens, vejamos: 10 Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. 11 Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.10-11). O texto não afirma que a obra vicária de Cristo foi por todas as pessoas, mas limita a uma posteridade (v.10), e levou os pecados de muitos, não diz que foi por todos (v.11). A expiação de Cristo foi por alguns, não por todos!

APLICAÇÃO: Cristo foi apresentado como sendo enviado para resgatar, morrendo, ressuscitando, ascendendo para interceder por um povo, bem como tomando o lugar de alguns. A própria apresentação de Cristo no evangelho já nos traz a ideia de que Ele salva um povo, pois as pessoas são convidadas para fazer parte este povo.

3. QUEM VEM A CRISTO. Jo 6.37,44

A Escritura vai informar que os salvos virão a Cristo, mas além disto vai nos dizer que aqueles que virão até o Filho foram entregues a Ele pelo Pai, e estes nunca serão rejeitados, consoante o texto: Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). Porém, a Bíblia vai informar que não apenas o Pai deu os eleitos ao Filho, mas também Ele os trouxe soberanamente ao seu Filho, vejamos: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Somente virão a Cristo os eleitos, que o Pai lhe deu, algumas lições:

I. O anúncio foi feito a todos, mas apenas alguns creram. At 18.9-10

Deus orientando Paulo disse que o seu plano para ele era que pregasse o evangelho na cidade de Corinto, observemos: 9 Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; 10 porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18.8-9). Sobre a pregação podemos extrair alguns ensinamentos, segundo exporemos: a) A pregação é uma ordem direta de Deus (v.9a). b) A pregação deve ser a todos indistintamente da localidade (v.9b). c) A pregação salvará apenas alguns, aqueles que pertencem ao Senhor (v.10). Portanto, a pregação do evangelho é universal, mas o alcance salvífico somente aos eleitos, afinal Deus disse que tinha muito e não todo o povo daquela cidade.

II. Quem vem a Cristo são suas ovelhas, ou seja, sua morte não foi pelos bodes, mas pelas ovelhas. Jo 10.27

O próprio Senhor Jesus disse tratando sobre a expiação de cristo disse que Ele deu a vida pelas ovelhas (Jo 10.11), ainda vai informar sobre as pessoas que vem a Cristo para salvação, segundo está escrito: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27). O Texto vai nos trazer três questões acerca das pessoas que o buscam para salvação: 1. As pessoas que o buscam para salvação ouvem a sua voz (pregação), isto é, Deus chama os eleitos pela pregação (v.27a; Rm 10.17). 2. As pessoas que o buscam para salvação já foram conhecidas por Ele desde a eternidade (v.27b), ou seja, Ele escolheu (Ef 1.4,5, 11) e determinou quem seria salvo (II Tm 1.9; 2.19). 3. As pessoas que o buscam para salvação o seguem (v.27c), portanto, vivem em santidade (Hb 10.14). Somente as ovelhas crerão, Cristo não morreu para salvar bodes, mas somente ovelhas, ou seja, os eleitos.

III. Quem vem a Cristo são os eleitos que foram escolhidos, não porque foram especiais, mas pela graça e misericórdia de Deus. Rm 11.5-6; Rm 9.16

Os salvos virão a Cristo, se rendendo a Ele, estes somente poderão fazer porque foram eleitos não porque Deus viu alguma coisa neles, mas segundo a eleição da graça, vejamos: 5 Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. 6 E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.16). O apóstolo nega a eleição ensinada pelo judaísmo de todo e qualquer judeu e pelas obras, como os judaizantes ensinavam. Ele vai ensinar que não seria pelas obras antevistas que Deus havia elegido, mas pela graça, pois se Deus precisasse de obras para eleger, não haveria Graça nenhuma. Como é éla graça não depende do esforço humano, mas da misericórdia de Deus, observemos: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). Vem até Cristo somente os que foram alcançados pela graça, estes dependem somente de Deus e não dos seus esforços.

APLICAÇÃO: Sobre aqueles que vem a Cristo através da pregação vemos que que pregamos a todos, mas que virão a Cristo os que o Pai lhe deu, crendo porque são suas ovelhas, eleitos pela graça e não pelas obras. Devemos pregar, mas não podemos converter, somente Deus pode fazer, Ele faz somente com os eleitos, somente estes virão a Cristo.

4. A MORTE DE CRISTO E A PREGAÇÃO DO EVANGELHO.

Algumas pessoas dizem caluniosamente que se Cristo morreu apenas pela igreja não devemos pregar o evangelho, mas aprendemos na Bíblia que Cristo morreu para salvar somente a igreja (At 20.28), mas que estes virão a Cristo pela pregação do evangelho (Rm 10.17), assim sendo, precisamos entender algumas questões importantes.

I. A morte de Jesus tem poder para salvar todos as pessoas. Cl 1.28

A morte de Cristo tem poder de apresentar todo homem perfeito diante de Deus, segundo afirma a passagem: “O qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28). Cristo tem de fato poder para salvar cada ser humano, tendo em vista que os seres humanos rejeitam Cristo porque querem, os que aceitam fazem livremente.

II. A morte de Jesus salva eficazmente os que que creem (eleitos). Jo 3.36

A morte de Cristo salva somente aqueles creem Nele, os demais estarão debaixo da ira de Deus, e não terão vida eterna, consoante observamos: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36). A morte de Cristo tem um alcance universal quanto á extensão, mas com relação à eficácia alcança os que creem Nele, assim sendo, não há nenhuma incompatibilidade entre a doutrina da Expiação Limitada e a pregação do evangelho, quem é soberano é Deus, não o pregador, este prega para todos, mas somente alguns serão convencidos (Jo 16.8), regatados (Cl 1.13-14), e salvos (II Tm 1.9). A morte de cristo salva os que creem (Jo 6.47), estes somente creem por causa de uma intervenção divina (At 13.48; Ef 2.8; Tt 1.1).

III. A pregação deve ser uma oferta a todos os pecadores, sabendo que apenas alguns crerão e serão salvos. Mc 16.15; Jo 10.27-28; Jo 17.20

Há uma ordem divina para que se pregue a cada indivíduo, como a Escritura afirma: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Todos os homens devem ouvir a pregação externamente, mas a Bíblia fala que somente alguns irão ouvir internamente, estes receberão a vida eterna de forma segura e garantida, consoante o texto dirime: 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.27-28). Somente aqueles que Deus agiu no coração irão crer. Porém, algo que é interessante notar é que cristo intercedeu pelos eleitos pra que fossem guardados pelo Pai, vejamos: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (Jo 17.20). O pai atende que o Filho pedir (Jo 11.), Cristo intercedeu pela salvação dos eleitos, mas poderíamos citar os exemplos de Pedro e Judas que pecaram contra Cristo, um negando, o outro vendendo. Cristo intercedeu apenas por Pedro (Lc 22.31-32).

APLICAÇÃO: A morte de Cristo tem poder para salvar todos, mas ela salva eficazmente aqueles que creem (os eleitos). Você tem certeza de que a morte de Cristo já alcançou o seu coração? Você prega o evangelho a todos que estão ao seu alcance? Se não estamos pregando o evangelho a todos, estamos pecando contra uma ordem de Deus, devemos nos arrepender e pregar o evangelho para todos! Mas, somente crerão alguns.

REFERÊNCIAS

A Bíblia de Estudo de Genebra. Textos e Notas de Rodapé. 2 ed. Ampl. São Paulo - SP: Cultura Cristã, 2010.

A confissão de Fé de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. 1 Ed. Campinas - SP: LPC, 1985.

CASIMIRO, Arival e; CALLI, Paulo. Rede de Discípulado I. 1 Ed. 2012. Santa Bábabara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2012.

CASIMIRO, ARIVAL. Rede de Discipulado II. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2015.

MARTINS, José. O Homem e a Salvação. 1 Ed. Patrocínio - MG: CEIBEL, 1975

NASCIMENTO, Adão Carlos. Razão da Nossa Fé. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

_________________________. O que Todo Presbiteriano Inteligente precisa Saber. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste: Z3 Editora, 2007

_________________________. Curso de Catecùmenos. 1 Ed. Santa Bárbara d’Oeste - SP: Z3 Editora, 2008.

O Breve Catecismo de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

O Catecismo Maior de Westminster. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

Os Cânones de Dort. In: Biblia de Estudo Genebra: Auxílios - Confissões de Fé das Igrejas Reformadas. 2 Ed. Ampl. São Paulo, Cultura Cristã, 2010.

PIPER, John. Cinco Pontos: Em direção a uma experiência mais profunda da graça de Deus. 1 ed. São José dos Campos: Fiel, 2014.

AUTOR: Pastor Veronilton Paz da Silva

ESBOÇO DESERMÃO BASEADO EM FILIPENSES 1.20-26

TEXTO: FILIPENSES 1.20-26

INTRODUÇÃO

O tempo (passado, presente e futuro) é o período contínuo no qual os eventos acontecem. Nós vimos na primeira mensagem que Paulo olhava para o passado com a ótica de Deus: Observando a soberania de Deus (v.12), observando que Deus nos coloca lugar e hora certos (v.112-13) e verificando se o nosso testemunho estimulou outros (vv.14-18). Na segunda mensagem examinamos o presente com a ótica de Deus: Devemos ter confiança em Deus, exaltá-lo e viver para Cristo. A terceira mensagem irá tratar sobre o olhar para o futuro na perspectiva de Deus, isso faremos tendo como base o assunto e tema expostos a seguir.

ASSUNTO: A ALEGRIA DE OLHAR O TEMPO NA PERSPERCTIVA CORRETA

TEMA 3: OLHANDO PARA O FUTURO NA ÓTICA DE DEUS.

I. QUANDO OLHAMOS O FUTURO DEVEMOS TER ESPERANÇA. VV.20-21

a) Nossa esperança vem com uma ardente expectativa. V.20

Paulo fala de sua esperança não apenas para o presente, mas futuro, pois esperança que se vê não  é esperança, por isso devemos tê-la também no futuro, de modo ardente e expectativa: “Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (v.20). A palavra ardente expectativa vem do grego “Apokaradokian” e significa “viva, ansiosa espera”. Em Cristo nós temos uma viva esperança no Cristo Ressurreto (I Pe 1.3), devido a isto não temos medo do futuro, pois Cristo estará lá nos esperando.

b) Nossa esperança nos faz ver a morte com um lucro. V..21

Paulo vai dizer que sua vida era servir a Cristo e sua morte seria lucro, vejamos: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro (v.21). Mas, porque é lucro morrer para o cristão: 1. Porque morrer para o cristão é fazer a última viagem rumo ao céu: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (V.23). 2. Porque morrer para o cristão é descansar das fadigas desta vida: “Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (Ap 14.13). 3. Porque morrer para o cristão é ver Jesus como Ele é: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (I Jo 3.2). Você tem medo da morte? não deveria. não podemos antecipar a morte, mas esperar a hora certa!

c) Nossa esperança não pode se limitar a apenas a esta vida. I Co 15.19-20

Paulo nos fala sobre esperança em outra passagem dizendo: 19 Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. 20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (I Co 15.19-20). Algumas lições: I. Nossa esperança em Cristo não pode se limitar a esta vida (v.19). II. A esperança apenas terrena traz infelicidade (v.19). III. Nossa esperança está além desta vida porque Cristo ressuscitou, está vivo para sempre (v.20). Sua esperança vai além desta vida por que Cristo está além desta vida nos esperando!

II. QUANDO OLHAMOS O FUTURO DEVEMOS TER CONVICÇÃO DE SALVAÇÃO. VV.22-25

a) Temos convicção de salvação porque entendemos que o céu é melhor. V.23

Paulo tinha a convicção total da sua salvação em Cristo, assim sendo ele passou a almejar o céu, vejamos: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (v.23). Paulo nos ensina que: I. Devemos desejar o céu porque lá estaremos com Cristo (v.23a). II. Devemos desejar habitar no céu (v.23b). III. O céu é incomparavelmente melhor que a terra (v.23c). O céu é um lindo lugar, mas para habitar nele precisa entregar a Cristo e ter certeza de vida eterna. Você já tem!

b) Temos convicção de salvação, mas não negligenciamos a pregação do evangelho. VV.22,24,25

Devemos desejar ardentemente o céu e desejar ir para lá, mas não devemos relaxar na nossa divulgação do evangelho, vejamos: 22 Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. 24 Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. 25 E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé”. Paulo, mesmo sabendo das venturas do céu, não relaxou, mas pregou o evangelho e discipulou pessoas para que tivessem progresso na fé. Paulo queria ir para o céu, mas precisava enquanto estivesse aqui anunciar as glórias do céu. Pregue o evangelho, discipule pessoas, anuncie as glórias do céu! Pregue a salvação em Cristo!

c) Temos convicção de salvação porque cremos no poder de Deus para nos salvar. V.6

Paulo tinha uma convicção total da sua salvação, pois ela não dependia dele, mas do poder de Deus, segundo está escrito: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (v.6). Paulo nos diz aqui três verdades: 1. A salvação ofertada é certa e garantida (v.6a). 2. A salvação ofertada é uma dádiva de Deus (v.6b). III. A salvação ofertada será concluída por Deus de modo cabal (v.6c). Podemos ter certeza plena da nossa salvação, pois Deus a realiza plenamente!

III. QUANDO OLHAMOS PARA O FUTURO DEVEMOS VISAR A GLÓRIA DE CRISTO. V.26

a) A presença do crente deve ser motivo de glórias ao nome de Jesus. V.26

A presença de Paulo faria aqueles crentes de Filipos dar glórias a Cristo quando lhe fosse restituída a presença, segundo está escrito: “A fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco” (v.26). Um crente deve viver de tal forma que sua presença glorifique a Cristo! Como temos vivido?

b) A presença do crente deve ser motivo de ser motivo de saudades quando se ausentar. V.26

O texto ainda diz que Paulo desejava que aumentasse muito mais o motivo deles glorificarem a Cristo quando o vissem, porque eles estavam com saudades dele, na sua ausência, leiamos: “A fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco” (v.26). Eles tinham saudades dele e por isso enviaram Epafrodito (Fp 2.15). Sua ausência deixa saudades ou alívio?

c) A presença do crente deve fazer com que quando se ausente seus ensinos sejam lembrados. II Tm 3.14

A presença do crente deve servir para que na sua ausência tudo que ele ensinou seja lembrado, observe esta orientação de Paulo ao Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste (II Tm 3.14). Timóteo deveria guardar o que Paulo ensinou, nós devemos guardar e imitar os bons líderes que nos aproximaram de Deus (Hb 13.7,17). Quando o crente precisa se ausentar por algum motivo, seus ensinos devem ficar vivos nos corações e vidas das pessoas.

APLICAÇÃO: Nesta mensagem vimos que devemos olhar para o futuro na ótica de Deus, sobre isto vimos que quando olhamos o futuro devemos ter esperança não apenas agora, mas futura. Também vimos que ao olhar para o futuro devemos ter certeza de salvação, pois Deus nos salva plenamente. Observamos ainda que devemos visar a glória de Cristo, a nossa vida deve glorificar a Cristo. Você que já é crente já tem esperança e certeza de vida eterna precisa viver para glória de Cristo, tendo uma vida de santidade e proclamação do evangelho. Se você não tem certeza de salvação, estás andando para um futuro nebuloso e de perigo eterno, mas podes ainda hoje podes entregar tua vida a Jesus. Queres fazer isso hoje?

AUTOR: Pastor Veronilton Paz da Silva